sexta-feira, 25 de julho de 2008

Dante e as cataratas do Iguaçu

Eram, mais ou menos, 20h30 de segunda-feira e, como boa parte das famílias brasileiras, eu e Mariana jantávamos no quarto assistindo ao Jornal Nacional. De repente, Adriça e Joana correram para a sala e começaram a latir perto da porta. A princípio, nada de estranho. Sempre que as luzes de casa estão apagadas e alguém passa pelo corredor, elas fazem o mesmo. Chamamos as duas e depois de dois ou três gritos elas voltaram.

De repente, a Mariana pergunta se eu não estava sentindo cheiro de queimado. Como eu tinha preparado a comida, fui até a cozinha para dar uma olhada (quem sabe não esqueci o forno acesso?). Tudo normal. Dei uma volta pela casa e, mais uma vez, tudo normal. Quando voltei para o quarto ela reclamou de novo do cheiro de queimado.

- Não parece cheiro de vela derretendo?
- Sei lá. Aqui em casa não tem nada errado. E nem vela temos acesa.

Quando terminamos de jantar, 20h55, deixei ela no quarto e fui para o escritório me divertir no computador e assistir ao Linha de Passe, a mesa redonda da ESPN Brasil.

- Me chama na hora que Pantanal começar...

Aquele cheirinho de queimado continuava, mas fraco, nada demais. Mas, de repente, o síndico e o zelador do prédio passaram pelo corredor de serviço:

- Vamos fechar aqui rapidinho para colocar a escada. Vamos entrar no apartamento de cima. Parece que tem fogo no quarto e não tem ninguém em casa.
- Precisa de alguma ajuda? – ainda perguntei.
- Não, já estamos com os extintores e só tem uma escada mesmo

Seguiram-se os barulhos de dois extintores e os dois desistindo, dizendo que não dava pra entrar, mas pra gente ficar calmo porque já tinham chamado os bombeiros.

Foi nessa hora que falei pra Mariana vestir alguma coisa, tirar tudo das tomadas, pegar as cachorras e dar no pé. E daí pra frente, foi o seguinte: o fogo lambeu o apartamento em cima do meu, os bombeiros demoraram meia hora pra chegar (mera impressão, pois não marquei o tempo) e, quando entraram, deram aquele banho para apagar o fogo. Acho até que, do ponto de vista dos bombeiros, não foi um dos trabalhos mais complicados.

Quando finalmente fomos liberados e voltamos pra casa, a Mariana entrou no apartamento e eu fui conversar com o síndico sobre o que tinha acontecido, como estava a moradora (que chegou no meio da confusão), se precisava de ajuda com alguma coisa, como levar ao médico etc.

- Gustavo, corre aqui!!!

Quando entrei em casa e vi o que estava acontecendo só uma coisa passou pela minha cabeça: fudeu!!!! (que os amigos desculpem, mas há horas e horas para um palavrão. Nessas circunstâncias, além de bem aplicado, poderia pensar em pelo menos mais uma dezena para substituí-lo).

A água escorreu pelo teto e pela parede, por cima do armário. De MDF, a estrutura virou esponja e estufou. O que tinha dentro, ficou molhado e com cheiro de fuligem.

Ondas...
A água que apagou o fogo no andar de cima escorria pela laje e pelas paredes do meu quarto, encharcando o armário por fora e por dentro, pingando em cima da TV e DVD, e alagando o quarto. Meio que no desespero, levamos os aparelhos para a sala e jogamos o que tinha nos armários, tanto quanto foi possível, em cima da cama. Ao mesmo tempo, mas em menor quantidade, também começou a pingar no escritório. E tratamos de salvar os computadores enquanto sofria pela possibilidade de perder os livros...


Do outro lado do quarto, mais água pingando e escorrendo em cima de armário, TV e DVD. Até a parede estufou.

Atrás do módulo da TV, o chão encharcado e sujo de fuligem, rodapés e fiação estragados.

Parênteses: há um certo lado cômico nessas situações. É impressionante como gente que nunca olhou pra você, de repente, começa a entrar na sua casa para olhar o que está acontecendo. E enquanto você tenta achar uma solução, é um tal de ‘ai meu Deus’, ‘ohs’ e ‘ahs’ sensacional. Também é legal que todo mundo ofereça ajuda, mesmo que não saiba como ou possa fazê-lo.

Com as coisas protegidas, dentro do possível, e já começando a ver a água escorrer pelo corredor do apartamento, fomos dormir na casa da minha mãe.

O dia seguinte foi de juntar tudo, arranjar um caminhão de mudança às pressas e dar o fora. Conseguimos levar quase tudo. Ainda voltamos ao apartamento na quarta e passaremos de novo no final de semana, pois ainda sobraram algumas coisas menores para levar.

Agora é conseguir contato com a moradora ou seu filho para tentar diminuir os prejuízos que não foram poucos.

A casa nova e a bagunça da mudança.
Saí de Vila Isabel (mas é bom deixar claro que nunca abandonarei o melhor bairro do mundo) e me tornei, oficialmente, um tijucano (vale o registro de que a Tijuca é o único bairro do Rio, quiçá do Brasil, com gentílico reconhecido). Agora, levantar as mãos para o céu e agradecer que, fora o susto, a aporrinhação e o prejuízo, ninguém se machucou. E vida que segue.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Chicabon

©The Cahier Achive

Há uma semana, em Interlagos, conversava com o Zé e o Rodrigo sobre a ‘torcida’ por nossos pilotos na F1. Chegamos à conclusão quase nova que, em terras tupiniquins, há quatro tipos: piquetistas, sennistas (até hoje) e os outros – esses divididos entre os que realmente gostam de corrida mas torcem para todos e aqueles que torcem até para jogadores de bocha, desde que sejam brasileiros.

Eu sou um piquetista. Aprendi a gostar de corridas de automóveis vendo o Nélson ser bicampeão mundial, em um tempo em que meu pai controlava a TV e, quando não havia mais brasileiros na pista, mudava de canal ou desligava pra fazer outra coisa, como ir à Quinta da Boa Vista ou à casa do tio Alcino.

Nunca neguei que Senna foi um grande piloto (pelo menos oficialmente, não sou louco), mas na comparação entre os dois ainda acho impossível não apontar Piquet como o melhor. Por várias razões, como a inventividade, o conhecimento mecânico e – claro – o indefectível ‘Troféu Limão’.

E eu gastei três parágrafos para dizer que foi impossível não comemorar a volta de um Piquet ao pódio.

É fato que o garoto teve, até chegar à F1, todas as facilidades possíveis para se formar piloto. E isso não é demérito. Também é fato que, até o Canadá, fez uma temporada sofrível. Assim como é fato que, desde a França, N.A. Piquet (Nelsinho é o cacete) melhorou muito (estava em quarto quando aquaplanou em Silverstone).

Não acho que Piquet seja, dos garotos que já chegaram e dos que estão quase lá, o melhor piloto. Nem de longe. Mas também acho que, na Fórmula 1 atual, não é necessário ser o melhor para sagrar-se campeão. Basta ser um deles e ter a chance de sentar em algum dos poucos grandes carros à disposição (a Renault não é um deles). Acho que Piquet está no bolo. Isso tudo para dizer que achei injusto o tom de algumas críticas que vinha recebendo, principalmente por ser um estreante. Como serão injustos e exagerados alguns elogios que receberá por conta do resultado de ontem.

O que importa é que ontem o garoto pilotou como gente grande. O melhor retrato disso foi a decisão de nem tentar segurar Hamilton para não perder terreno para Massa e garantir o segundo lugar.

E ele teve sorte sim, quando o safety car entrou logo depois que ele fez sua única parada e meio mundo (quase todos) ainda teria que entrar nos boxes. Como dizia Nélson Rodrigues, “sem sorte não se chupa nem um Chicabon. Você pode se esgasgar com o palito ou ser atropelado pela carrocinha”. Ontem, Nélson Ângelo Piquet não deixou pingar nenhuma gota do seu picolé.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Poeira

Aproveitando o cheiro de gasolina que tomou conta do blog esta semana por conta da viagem para assistir a GT3, resolvi fazer algo que já não acontecia há algum tempo por aqui: galeria de imagens (a última foi a coleção do Calendário Pirelli).

E aproveito para lembrar do Rally dos Sertões, que terminou no dia 28 de junho e foi facilmente dominado pelos VW Touareg (o que já provocou choradeira e um boato de que a prova deixaria de ser internacional ou parte do circuito mundial, algo assim).

A escolha das imagens não teve qualquer critério técnico. Vi as fotos, gostei? Pronto. Como tenho o sonho de fazer ao menos um Sertões, serve pra dar água na boca.

Todas as fotos são do Webventure e, em cada imagem, estão identificados os pilotos, a máquina e o fotógrafo.

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Christian Bach / André Casagrande / Luciano Andreoti
Mercedes-benz - Atego 1725
Tom Papp

Ricardo Souza / Sergio Barcellos / Josué Paniago
Mercedes-benz – 1720A
Tom Papp

Tom Papp

Richard Fliter
Suzuki – Drz
Tom Papp

Tom Papp


Theo Ribeiro

Marek Dabrowsky
KTM – Rally Replica
Caetano Barreira

Marcos Baumgart / Kleber Cincea
Mitsubishi - L200 Evo
Tom Papp

Eduardo Vidigal / André Muniz
Mitsubishi - L200 Evo
Andre Chaco

Giniel D. Villiers / Dirk V. Zitzewitz
Volkswagen - Race Touareg 2
Ricardo Leizer

Yuri Aizemberg
Yamaha - Wr 450
Ricardo Leizer

Jackson Feubak
KTM – Exc
Ricardo Leizer

Andrés Memi / Daniel Trippar
Mitsubishi – L200 Sport
Tom Papp


Kenner Garcia / Ronie V. Silva
Chevrolet - S-10
Caetano Barreira

Fabio W. Campos
KTM - 450exc
Ricardo Leizer

Ruben R. D. Santos
Honda - CRF 450X
Theo Ribeiro

Mauricio Neves / Clécio Maestrelli
Mitsubishi - L200 Evo
Tom Papp

Rodolfo B. Filho / José R. D. Castro
Imp / Chevrolet - S10
Tom Papp

André Azevedo
Mercedes-benz - Atego 1725 4x4
Theo Ribeiro

Cristian Baumgart / Alberto Andreotti
Mitsubishi - L200 Evo
Caetano Barreira

Robert N. Nahas
Honda - TRX450erTheo Ribeiro

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Interlagos (ou ‘preparem-se que a história é longa’)

Na primeira vez que fui a um autódromo, tinha 8 ou 9 anos, em 1981 ou 82. Jacarepaguá. Fui com meu pai, um garoto da escola que já não lembro o nome e seu pai. Chegamos de manhã cedo e a programação tinha cinco ou seis corridas. A última delas, a sensacional Opala Stock Car.

Depois desse dia, foram muitos e muitos anos sem pisar em qualquer autódromo, até a volta ao mesmo Jacarepaguá na primeira corrida da Fórmula Indy no Brasil. A partir daí, voltei a freqüentar (se é que 2 ou 3 vezes ao ano podem ser chamadas de ‘freqüência’) corridas de várias categorias e conheci os circuitos de Curitiba e Interlagos.

Com o anúncio de que Emerson e Piquet correriam na GT3 Brasil, me animei a ver uma das corridas. Nelson até hoje não estreou, mas resolvi insistir. Combinamos (eu, Zé Luis e Rodrigo) de irmos a São Paulo. Além dos super-carros (tem hífen?), Copa Clio e F3 Sul-Americana, que nunca tinha visto. Perfeito.

As categorias têm rodadas duplas aos sábados e domingos e optamos pelo domingo. Como a programação começava às 8 da manhã, teríamos que sair do Rio de madrugada, para chegar a tempo.

Cocares
Antes de contar nossa ‘aventura’, é preciso abrir parênteses. Numa analogia às estrelas com que são classificados hotéis no mundo inteiro, como poderiam medir os programas de índio? Em cocares! Pois então...


Deveria ter desconfiado que as coisas não seriam exatamente como imaginamos logo no início. Alugamos um carro e fiz a reserva com uma semana de antecedência para não ter problemas. Pedi um Fox, carro 1.6 para agüentar bem a serra, com bom espaço interno (meço 1,90) e diária relativamente barata.

Na hora de retirar o bendito, a surpresa: não havia nenhum Fox disponível e o outro veículo oferecido na mesma categoria foi um Prisma 1.4. Quando reclamei, o rapaz que me entregou o carro disse que poderia trocá-lo em qualquer filial. Eram quase 22h. Quando falei que tinha feito reserva uma semana antes e pegaria a estrada às duas da matina, ele só pôde fazer cara de bunda... Sobre o motor, poucos problemas pois seríamos três sem bagagem. Mas acabei dirigindo quase mil quilômetros com a cabeça batendo no teto e os joelhos no volante. Parabéns à Localiza pela grande demonstração de respeito ao cliente e meus sinceros agradecimentos pelas dores no corpo.

Dutra
Eu e Zé saímos do Rio e pegamos o Rodrigo na rodoviária de Sampa, que partiu de BH. Junto com o carro, alugamos um GPS para andar em São Paulo, chegar e sair de Interlagos. Desperdício. Rodrigo, um mineiro que vive no Rio, é o próprio GPS de São Paulo, no que diz respeito aos caminhos que levam a Interlagos.

Partimos às duas da manhã e a programação foi perfeitamente cumprida. Sem trânsito e duas paradas rápidas, encontramos Rodrigo às 7h15 e fomos direto para o autódromo.

O primeiro susto foi o estacionamento. R$ 30 e, depois, ainda descobrimos que foi barato. Frio da porra na terra da garoa (ao menos para cariocas) e, ao invés de entrarmos logo, comemos um belíssimo e saudável sanduíche de lingüiça com Coca-Cola a título de café da manhã. Grande decisão, porque dentro do autódromo...

Ingressos
Durante mais de um mês, tentamos – de várias maneiras – conseguir credenciais para visitar os boxes. Afinal, se estávamos ali pela GT3, queríamos ver os carros de perto, se possível sem as tampas dos motores. Não conseguimos e resolvemos ir assim mesmo, de arquibancada (R$ 15). Havia um ingresso que dava direito a visitar os boxes, mas com preço absurdo: R$ 150. Gostaria mesmo de saber quantos foram vendidos na bilheteria, fora os dos patrocinadores e suas ações de marketing com clientes.

Casacos: mesmo com sol, o vento não deixou a gente tirar os casacos
Perdemos o aquecimento da Clio mas entramos a tempo de ver a GT3 acordando. Sem compromisso e ritmo de corrida, é possível prestar atenção em alguns detalhes interessantes. O mais óbvio, a diferença entre os motores, com Lamborghinis quase em silêncio (para o que se espera de um carro de corrida, claro) e os Ford GT com o ronco ensurdecedor.

Ficamos no começo da reta, em frente ao início da faixa que delimita a entrada dos boxes, de onde podíamos ver o final da reta oposta, quase todo o miolo, junção e a reta, até a freada para o S do Senna. Não havia lugar melhor. Porque, para quem não conhece autódromos, é preciso explicar que em nenhum, em qualquer lugar do mundo, é possível enxergar toda a pista. O que chegava mais próximo disso era Jacarepaguá, aquele lá do início da história e que César Maia e Carlos Nuzman destruíram.

Corridas
A primeira corrida do dia foi da F3, com apenas 14 carros (chassis Dallara e motor Renault). Corrida razoável, com disputas interessantes, mas – depois de toques e abandonos – terminada por apenas 10 pilotos. Além disso, sul-americana apenas no nome, pois só há brasileiros na pista. Mas quem quer acompanhar a temporada, tem que se contentar com a transmissão via internet (pela RaceTV, não sei se ao vivo) ou os VTs no Speed Channel (canal 97, Net Rio)

A F3 começou às 9h30. Apesar do sol, a neblina denuncia o frio
A segunda prova foi a melhor do dia. Não esperava muito da Copa Clio, mas é impressionante como é divertida. 24 carros no grid, pista cheia e com muitas disputas e, ao contrário do que estamos acostumados a ver na Stock Car, muito esforço de todos para que não haja toques. É claro que há acidentes e batidas, mas as brigas por posições são impressionantemente limpas. Palmas para os pilotos.


Na largada da Clio é possível ver que o carro de segurança comanda os pelotão até o último momento, para que nada dê errado. Mais um exemplo para a Stock Car.
Um detalhe que ajuda a melhorar a corrida é que, depois de um terço de prova, o safety car entra para reagrupar os pilotos. Os cinco primeiros nesse momento recebem pontos de bonificação e, depois que recomeça, novas disputas. Algo que vale a pena acompanhar durante todo o ano (a ESPN Brasil transmite).

Público
Verdade seja dita, para o que estamos acostumados a ver nos autódromos brasileiros, até que tinha bastante público presente. E é preciso lembrar que Stock e Truck, que estão sempre lotados (muito em função da farta distribuição de convites pelos patrocinadores), ao contrário de ser regra em corridas no Brasil, são enormes exceções.



Mas não dá para esperar muito público mesmo. Pouquíssima publicidade, mesmo na cidade onde acontece o evento. E nenhuma estrutura. Se não tivéssemos comido aquele sanduíche, teríamos ficado o dia inteiro à míngua. Dentro do autódromo, apenas uma barraquinha de comes e bebes (pouquíssima variedade) e, claro, uma fila absurda.

Além disso, apesar de grandes marcas envolvidas, nada para o público. Nenhum estande onde se pudesse comprar lembranças de qualquer tipo. Em resumo, nenhuma atração para o público nos intervalos entre as provas. O meu sentimento é que a organização se incomoda com a presença de torcedores e fazem de tudo para que ninguém volte.

Os carros

Andreas Matheis tocou Walter Salles depois de ser ultrapassado. Dick Vigarista?

Enfim, a corrida que nos levou a Interlagos. Apenas 14 carros na pista, mas algo que relevamos pois são máquinas muito caras em apenas seu segundo ano no Brasil. E aí é que está o problema: grana. Nitidamente, todos pensam 30 vezes antes colocar o carro em uma disputa de verdade e a corrida acaba sendo meio morna, com raríssimas ultrapassagens. Além disso, o trabalho de equalização dos carros, feito na Europa e antes de começar o campeonato, falhou e os dois Ford GT sobram na turma. E sem fazer qualquer esforço.

No final da corrida, não vimos a única disputa real e que acabou decidindo a prova: os dois Ford se pegaram no S do Senna e acabaram se tocando. Um ficou fora, o outro se arrastou até terminar em quinto. Em resumo, os carros são lindos mas corridas e campeonato são muito sem graça. Muita coisa pode melhorar, se o grid encher e os carros forem realmente equilibrados. Por enquanto, resta torcer para 2009 ser melhor que este ano. E quem quiser ver de casa, ao vivo pela RaceTV ou os VTs na faixa Grid Motor do SporTV.

The End
Do autódromo, direto pra estrada. Almoço no caminho, muito trânsito, cinco pedágios e algumas obras depois, conseguimos entregar o carro às nove da noite e, finalmente, descansar. A conclusão é que corrida é muito bom do sofá (a não ser que os organizadores sejam realmente organizadores) e, talvez, uma vez por ano, desde que haja corridas no Rio. Viajar de novo, só pra isso, nem pensar.

E, afinal, gostaria que me ajudassem: quase 12 horas de estrada, 10 pedágios, arquiba sem comida e bebida, corridas sem graça e um frio da porra. Quantos cocares valem esse programa?



PS 1: é claro que, pra quem gosta, ver e ouvir os carros ao vivo, discutir automobilismo entre amigos que realmente gostam e entendem e (mal ou bem) ter história pra contar, vale muito.

PS 2: além dos três originais, Marcos Lobo foi nos encontrar na pista, o que foi excelente. Matar a saudade de um amigo que, pela distância, é raro encontrar, não tem preço. Beijo na Zélia e nas crianças.

PS 3: é terrível chegar a Interlagos, ver os restos do circuito original e não ficar triste. Não dá para entender como foi possível atualizar o autódromo sem manter o circuito original como uma pista alternativa, por exemplo, para provas longas. Vale lembrar que um dos consultores técnicos do projeto foi Ayrton Senna.

PS 4: Que inveja... São Paulo ainda tem autódromo.

PS 5 (18h34): Fui corrigido nos comentários sobre os motores da F3. Esse é outro detalhe: ao chegar no autódromo, não existe qualquer tipo de informação sobre o que vai acontecer. Ao comprar ingresso, não deveríamos receber um folder com informações sobre as categorias, pilotos etc.?

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Um grande texto

O texto que segue abaixo foi publicado no Terra Magazine, no dia 9 de julho. De lá pra cá, Daniel Dantas já foi solto e preso outra vez, enquanto Nahas e Pitta foram soltos (e, até agora, continuam). Republico o texto porque é um puta texto, bom de ler, com ritmo, ação e bons personagens, como devem ser as grandes reportagens.

Sobre as acusações que contém, até agora não foi noticiada nenhuma declaração dos envolvidos contra o que está escrito (pelo menos, eu não encontrei) e ainda não sei se haverá algum processo contra o autor Bob Fernandes.

Também não publico o texto para discutir política, quem me conhece sabe o que penso a respeito. Então, aproveitem a leitura. É longo (para os padrões da internet), mas imperdível.

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Os intestinos do Brasil

A Polícia Federal trabalhou duramente para que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal não queria, de forma alguma, que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal fez tudo para que Daniel Dantas fosse preso. A Polícia Federal fez tudo para que Daniel Dantas não fosse preso.

A Polícia Federal trabalhou contra a Polícia Federal.Esse é mais um capítulo do mergulho nos intestinos do Brasil. Estão presos o banqueiro do Opportunity, o megaespeculador Naji Nahas, o ex-prefeito Celso Pitta e outros 17 dos 21 que tiveram a prisão decretada. É quarta-feira, 9 de julho.

Daniel Dantas
Nas telas, ondas, bits e páginas, a futebolização de sempre: aplausos entusiasmados, críticas ferozes à ação da polícia. O que ainda não chegou à tona é a verdadeira história dessa gigantesca ação policial, da encarniçada batalha que se travou nos setores de Inteligência e da Polícia.

O que se narra aqui são cenas, é o contorno dessa batalha, mas antes é preciso lembrar que este é apenas mais um capítulo.

Crucial, decisivo para que se entenda o todo, o que se movia, se move - e se moverá -, mas apenas mais um capítulo no enredo da maior disputa da história do capitalismo brasileiro, disputa essa que carrega em si o esteio, a sustentação do poder. Do Grande Poder.

O delegado Protógenes Queiroz comandou as investigações no último ano. Antes dele, ao tentar seguir a pista da organização comandada por Dantas, outros delegados fraquejaram. Ou desistiram, ou...

Protógenes foi conduzido ao comando da investigação sigilosa pelo então diretor geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, hoje chefe da Agência Brasileira de Inteligência, Abin. Paulo Lacerda queria e autorizou a operação até deixar a direção da PF.


Luiz Fernando Corrêa
Um dia, convidado pelo presidente Lula, Lacerda foi para a Abin. Em seu lugar assumiu Luiz Fernando Corrêa, que chefiava a Força Nacional de Segurança Pública. Luiz assumiu com fama de amigo de José Dirceu.

Se era ou se não era, se suas relações vinham apenas da proximidade no trabalho de segurança da PF ao candidato Lula em eleição anterior, é uma outra questão, mas o fato é que Luiz Fernando chegou ao cargo com essa fama: amigo de José Dirceu.

Logo ao assumir, o diretor da PF quis mais informações sobre que investigação seria aquela relativa aos negócios e métodos de Daniel Dantas. Normal. Parte das suas atribuições de comando.

O delegado Protógenes, por seu lado, ofereceu explicações genéricas, mas guardou o que era secreto, segredo de justiça.

Normal. Manhas de um tira brilhante, esperto, do policial que prendeu Paulo Maluf, o contrabandista Law Kin Chong, que pôs na marca do pênalti o Corinthians da MSI, Kia Joorabichian e Dualib, que investiga para a FIFA as lavanderias do futebol mundo afora.

Normal, em meio aos rumores sobre vazamentos na investigação e, pior, propinas. Subornos em favor de Dantas.

Na diretoria de Inteligência, um aliado do diretor geral na busca de informações amplas sobre o núcleo das investigações: o delegado Daniel Lorenz.


Celso Pitta
Protógenes Queiróz é duro na queda. Primeiros embates, e a operação Satiagraha perde estrutura. O comando esvazia parte da logística; retira agentes e peritos, encolhe a sala, asfixia as investigações....o corriqueiro nos jogos de guerra.

O jogo é maior, muito maior. As pedras se movem. Ao diretor da Polícia Federal chega o recado. Suave, mas direto: as investigações devem prosseguir.

Fim do ano. Mídia afora, o festival de plantações, versões. A batalha, que é política, comercial, policial, segue seu leito também nas telas, ondas, bits e páginas. Véspera do Natal. Estranhíssima entrevista do diretor geral.

Luiz Fernando Corrêa escolhe o encarte semanal "Brasília" do jornal mineiro Hoje em Dia para mandar um recado em forma de entrevista. Manchete: "Cada geração tem um papel a cumprir. Cumpriu, sai fora!"

Até o vidro fumê do edifício sede da PF em Brasília captou a mensagem e os destinatários: Paulo Lacerda e antigos delegados que comandaram a Polícia durante 4 anos e 8 meses do governo Lula.

Para não haver dúvidas, a capa do tablóide berrou: "PF dividida".

Véspera do Natal, peru, nozes, vinhos, poucos civis devem ter lido. Mas a polícia inteira leu. Comentou, discutiu. E mesmo o mais desatento agente sacou que a barca do delegado Protógenes Queiroz, fosse qual fosse, não era uma boa aos olhos da direção.

Parênteses. Daniel Dantas e os seus comemoravam, vibravam a cada boa notícia. Sim, o que não faltou nesse enredo foi notícia. Capas e capas.


Naji Nahas
O carnaval se foi. E um fato: a repórter quer falar com o delegado Queiroz. Quer informações sobre uma investigação que envolveria Daniel Dantas e o Opportunity. Apreensão, no início de abril - e isso são fatos. Objetivos. Conhecidos desde então: a repórter vai publicar o que tem se não for recebida.

A situação se agrava. Por ordem do comando, o delegado Protógenes Queiroz perde quase toda a logística. Fato registrado, inclusive, em imagens: a sala sendo esvaziada, a tralha tecnológica removida.

Queiroz começa a fingir que a operação faz água. Cede, aceita conversar com a repórter; Andréa Michael, da Folha de S.Paulo. Mas faz uma exigência aos superiores: quer a presença do diretor geral, Luiz Fernando Corrêa, e de Lorenz, o diretor de Inteligência. Corrêa não vai, manda alguém da comunicação social. Lorenz, presente. Na conversa, o delegado Queiroz contorna, tergiversa, despista, e guarda tudo o que disse e o que não disse.

Sábado, 26 de Abril. Anunciado o acordo das teles, vem aí a BrOi. No caderno "Dinheiro", da Folha, em quase meia página a repórter Andréa Michael relata os contornos de uma operação a caminho, destinada a prender Daniel Dantas.

Domingo, 27 de Abril. A operação está morta. Protógenes Queiroz faz dois movimentos. Primeiro, na véspera, a ligação para Lorenz, que está no Chile. Cobra a conta da conversa com a repórter, quando apenas despistou. A conversa, de parte a parte, não é boa. Segundo movimento: Queiroz, para efeito externo, dá a operação como morta. Para efeito interno, os fatos incendeiam agentes, peritos e delegados envolvidos numa operação cada vez mais secreta.

Segue a semana. Queiroz é comunicado. Não há, não haverá mais logística alguma. Caso encerrado. Caso que o diretor geral e o diretor de Inteligência seguem a desconhecer em seu teor. O delegado está solto no espaço.

Uma outra rede conecta-se, subterrânea, solidária. O outro lado da polícia trabalha, secretamente, pela Satiagraha, a "firmeza na verdade" de Gandhi.

Notas em colunas, sites. Chutes, bravatas, cascatas, desinformação. A operação é adiada. Uma, duas, três vezes.

O delegado Protógenes Queiroz é monitorado, vigiado. Pela Polícia Federal. E sua equipe contra-ataca: vigia, monitora, flagra e registra, os movimentos dos monitoradores da própria PF. Daniel Dantas e os seus estão tensos. Em dúvida: acabou, ou não acabou? Na dúvida, encaminham ao Supremo Tribunal Federal um pedido de habeas corpus preventivo, para Dantas e a irmã, Verônica.

Daniel Dantas morde a isca. Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom e o amigo Hugo Chicaroni são os intermediários. A oferta é feita ao delegado Vitor Hugo Rodrigues Alves. Na churrascaria El Tranvia, bairro de Santa Cecília, São Paulo, o ensaio para o acordo final: US$ 1 milhão. Como sinal, duas parcelas, uma de 50 e outra de 80, e pagamento em outras duas de US$ 500 mil. Encontros e acordos fechados em 18 e 26 de junho. Para livrar a cara dos Dantas. Há algo no ar.

Frases soltas.

Gilmar Mendes é o presidente do STF. No meio da semana, pós-São João, desponta nas telas, um tempão nos telejornais, nas manchetes do dia seguinte. Refere-se a informações vazadas por policiais, uma "coisa de gângsters" e ao "terrorismo lamentável".

A fala ecoa. Cada um entende como quer. Críticas gerais às interceptações telefônicas (mesmo às autorizadas judicialmente).

Julho chegou. Fim de semana. Notas, boatos... Daniel Dantas está em Nova Iorque... Daniel Dantas aguarda o habeas corpus para voltar ao Brasil...

Sete de Julho. O delegado geral, Luiz Fernando Corrêa, que até a véspera nada sabia sobre a verdadeira extensão de Satiagraha, quer agora saber de tudo. De tudo, não saberá. Extrema tensão. Como há um mês, no Rio de Janeiro.

Agentes da equipe de Queiroz seguiam gente dos Dantas, pelas ruas do Rio. A polícia foi chamada, quase um confronto até o esclarecimento "somos da PF" e o despiste numa operação banal qualquer. Mas a queixa subiu.

Chegou ao diretor geral da PF, a Heráclito Fortes (DEM-PI) no senado e ao advogado geral da União, José Antonio Toffoli, adentrou o Supremo Tribunal.

Seis da manhã, 8 de julho. Avenida Viera Souto, Ipanema, Rio de Janeiro. Daniel Dantas está preso.

Furacão na mídia, por todo o dia. À noite nos telejornais e no dia seguinte, este 9 de julho, a repercussão.


Gilmar Mendes
Gilmar Mendes, o presidente do STF, ataca a "espetacularização das prisões, incompatível com o Estado de Direito", critica duramente o pedido de prisão, negado, contra a repórter da Folha de S. Paulo:

- ...isso faz inveja ao regime soviético...

Frases soltas no ar.

Miriam Leitão, a comentarista econômica, também está no ar. Na rádio CBN, Miriam conversa com Carlos Alberto Sardenberg. Meio dia e quarenta. Miriam diz não ter entendido direito porque Daniel Dantas foi preso. Afinal, constata, as acusações são inconsistentes, "coisas do passado", e é preciso que a Polícia Federal explique melhor por que fez essa operação "com tamanho estardalhaço..."

Miriam se vai. Sardenberg chama os comerciais, não percebe que o microfone está aberto, e deixa escapar: "...ela tava estranha, não?"

Frases soltas no ar.

Daniel Dantas está preso. Esse, o policial, é mais um capítulo da operação que chegou aos intestinos do Brasil.


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O texto abaixo, também de Bob Fernandes, foi publicado às 15h33 de hoje (11/07), no mesmo Terra Magazine.

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Os intestinos do Brasil

Daniel Dantas está numa sala da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo. Seu advogado, Nélio Machado, está próximo.

Diante do banqueiro, o delegado que coordenou a operação Satiagraha, o homem que o prendeu por duas vezes em 48 horas. São 8 da noite da quinta-feira, 10 de julho.

Outros dois dos presos na operação acabam de ser libertados, habeas corpus do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, concedido ao megainvestidor Naji Nahas e ao ex-prefeito Celso Pitta.

Daniel Dantas parece exausto, rendido, mas não deixou de ser quem é. Obcecado por tudo que foca e toca, brilhante, genial, reconhecem mesmo os mais empedernidos adversários.

O tempo, pouco tempo, dirá o quanto há de cálculo, quanto há de desabafo no que começa a despejar sobre o delegado Protógenes Queiróz. Primeiro, a senha: "Eu vou contar tudo! Vou detonar!"

Antes ainda, o delegado lhe passa um calhamaço, o relatório das investigações, o fruto de anos de investigações, e diz, na longa conversa informal:

- ...sua grande ruína foi a mídia...você perdeu muito tempo com isso, leia esse capítulo sobre a mídia e entenda porque você está preso...sua defesa começa aqui, com todo o respeito que eu tenho ao seu advogado aqui presente...

Daniel lê, atentamente.

O delegado volta à carga.

- Não continue jogando seus amigos, seus aliados contra mim, isso não vai adiantar nada, como não adiantou...

Daniel, silencioso, parece concordar. O delegado prossegue:

- Se esse jogo continuar, a cada vez serão mais dez anos de prisão... eu tenho pelo menos 5 preventivas contra você, o trabalho do juiz De Sanctis é extraordinário, não há como escapar de novos mandados... e se você insistir agora será com a família toda... serão duzentos anos de prisão...

Silêncio, Protógenes Queiroz fecha o cerco:

- ...vamos fazer um acordo, você me ajuda e eu te ajudo....

Daniel, aquele que é tido e havido como uma mente brilhante, decide. O tempo dirá se cálculo ou rendição: "Eu vou contar tudo!"

E faz jorrar, devastador:

-...vou contar tudo sobre todos. Como paguei um milhão e meio para não ser preso pela Polícia Federal em 2004...

- Um milhão e meio? À época da operação Chacal, o caso Kroll...?

Prossegue a torrente de Daniel:

- ...tudo sobre minhas relações com a política, com os partidos, com os políticos, com os candidatos, com o Congresso... tudo sobre minhas relações com a Justiça, sobre como corrompi juízes, desembargadores, sobre quem foi comprado na imprensa...

O delegado, avança:

- Vamos fazer um acordo, mas é ponto de honra você não mentir. Não abro mão dessa investigação e seus resultados, mas muito mais fundamental é contar tudo sobre a corrupção no Brasil... quero saber a quem você pagou propina no Judiciário, no Congresso, na imprensa...

Em meio à torrente, em algum momento o advogado Nélio Machado pondera:

- ...você vai estar mais seguro na cadeia do que fora, fora você correrá risco de ser morto!
Daniel Dantas, o obcecado por tudo que toca e foca, a mente brilhante, aquele que mesmo os inimigos dizem ser um gênio, despeja:

- Eu vou detonar tudo!

Tarde da sexta-feira 11 de Julho. Daniel Dantas está na Superintendência da Polícia Federal, São Paulo, onde será ouvido formalmente pelo delegado Protógenes Queiróz a partir das 15h30.

O advogado Nélio Machado informa ao reportariado que vai orientar seu cliente para nada dizer.

O tempo, pouco tempo, dirá se tudo não passou de exaustão, desabafo.

Se tudo foi só cálculo, ou, um mergulho definitivo, purificador, nos intestinos do Brasil.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Flu X LDU

Hoje é dia de jogão, final da Copa Libertadores. É dia pra, todo mundo que gosta de futebol, tricolor ou não, ficar em casa na frente da TV. Em casa porque, como todo mundo sabe, só tem ingresso nas mãos dos amigos do rei ou dos cambistas.

E eu aviso logo: vou torcer para o Fluminense, como estou torcendo desde que o Flamengo viveu aquela noite histórica, perdendo por 3 a 0 para o América do fofucho Cabañas. Como disse Renato Mauricio Prado, a mãe de todos os vexames.

Não acho que ninguém deve torcer para esse ou para aquele clube. Na verdade, tricolores fora, ninguém tem obrigação de nada. Mas acho uma palhaçada essa história da torcida do Flamengo. Até agora não entendi o sentido de se meter numa história que não é sua.

É verdade que, quando o Flamengo foi eliminado, a festa da torcida arco-íris foi até notícia de jornal. E daí? Daí que o problema é deles que não têm vitórias e gozo próprios.

Mas mais grave do que o envolvimento torto da torcida, é a postura dos dirigentes do Clube de Regatas do Flamengo. Nada mais natural que ceder seu campo para os treinos de um clube que visita a cidade para jogar com um rival. Isso acontece pelo mundo inteiro. Daí a deixar que os jogadores da LDU vestissem as camisas do Flamengo para provocar o Fluminense!? Isso é um absurdo, uma total falta de propósito. É macular a imagem do próprio clube. É permitir que clubes centenários criem picuinhas dignas das Candinhas do subúrbio.

Vou torcer pelo Fluminense. Não acho que o Flu é o Brasil na Libertadores. Como não acharia se fosse o Fla. Vou torcer pelo Flu porque acho que merece, porque acho que fará bem ao Rio e ao Carioca, porque minha mulher e meu pai são tricolores, pelos amigos tricolores e pelo Beto, o garçon do galeto onde almoço e que, se tudo der certo, vai me pagar um chope. E porque não vejo sentido nenhum em torcer por um clube que me é totalmente estranho, que simplesmente não significa nada para mim.

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Na colina
Achei mesmo que o Eurico só seria defenestrado do Vasco depois de morto e, mesmo assim, depois de muita briga na justiça. Pois felizmente me enganei. Salve Roberto Dinamite. É impossível não comemorar. E boa sorte ao Roberto Dinamite, que entrou numa fria. Que ele consiga devolver aos vascaínos, o Vasco. E assim, quem sabe, voltaremos a ter quatro clubes realmente grandes. E o Flamengo voltará a ter um rival à sua altura. Porque, vamos combinar, ganhar do Vasco já tinha até perdido a graça.

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Já pensaram em como seria bom se voltássemos a ter, além dos quatro, o América e o Bangu?