terça-feira, 31 de julho de 2007

Tchau Cauê

Terminou o Pan. Grande novidade hein...? Pois a essa altura, qualquer comentário que eu faça em relação ao evento do Rio é chover no molhado, a descoberta da pólvora, uma novidade tão grande quanto a roda.

Agora, nos resta torcer e cobrar para que tudo o que aconteceu de errado na preparação dos jogos seja apurado e que a turma que colocou a mão onde não devia seja presa. Venhamos e convenhamos, isso anda difícil em terras tupiniquins ultimamente.

Além disso, também podemos cobrar e torcer para que as instalações construídas seja de fato utilizadas para outros grandes eventos nacionais e internacionais, ao mesmo tempo em que fiquem à disposição da comunidade, para que a prática esportiva seja disseminada.

Por último, podemos cobrar e torcer para que o autódromo do Rio seja reconstruído. É inadmissível que se destrua uma praça de esporte para a construção de outra, quando todas deveriam co-existir.

No mais, qualquer coisa que eu fale será repetitiva (como já foi o que está aí em cima, não é verdade?).

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Descontando todos os berros do Galvão e afins ao longo do Pan, quero dizer que – mesmo com o nível técnico duvidoso das competições – um evento como esse, para quem gosta de esporte, é uma verdadeira Disneylândia. Pena que, como todas as excursões da Tia Stella, chega a hora de voltar à rotina. O pior é que, ano que vem, a festa será na China e seremos obrigados a virar a madrugada para acompanhar as Olimpíadas. Não vai ser fácil.

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Por falar em Globo, o ufanismo babaca da vênus platinada (Brasil-il-il) não pode nos deixar esquecer que o Brasil não tem política de esportes de verdade. Isso significa que, em Pequim, temos que torcer muito para conseguir a mesma meia-dúzia de medalhas dos jogos passados. Além disso, sofrer pelo fato de que uma política de esportes bem construída significa mais educação. E nós não temos isso.

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PS: Quanto tempo vai demorar para o caos voltar ao Rio?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

TAM, Pan etc.

Tentei passar os últimos dias sem discutir o Pan (política e esportivamente) e sem assuntar o acidente da TAM. "Cansei de ser ranzinza e ninguém está nem aí. Na semana que vem tem outro escândalo e todo mundo esquece o que aconteceu antes", foi o que eu pensei. Afinal, alguém lembra do Renan? Enfim, tentei mas não consegui. Reproduzo abaixo a coluna do Juca Kfouri na Folha de São Paulo de segunda-feira.

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Relaxa, top top top, e goza. É ouro!
Impressiona como o país cada vez mais se acostuma a fingir e a viver, e a morrer, das próprias mentiras

PEGUE-SE QUALQUER exemplo, mas fiquemos com os mais recentes. No esporte, para começar. O milésimo de Romário é um bom caso. O Pan-2007, outro.

Ora, todos sabemos que o Baixinho, fabuloso, maior jogador que uma grande área já viu, criou um objetivo para ele mesmo e todos entraram na festa. Viva! Mentira inofensiva. Mas mentira. Mentirinha, digamos.

Com o Pan é mais grave, pelo uso do dinheiro público sem a menor cerimônia, um dinheiro que os passageiros que cruzam o país pelos ares agradeceriam se o vissem mais bem gasto. E aí a falsidade é grave, porque mata.

Em torno do Pan, a omissão é medalha de diamantes.

Thiago Pereira, que é um nadador digno de todo respeito e não tem a menor culpa do que se omite, é tratado como quem superou Mark Spitz. E, friamente, é verdade.

Mas meia verdade, muitas vezes pior que a mentira pura, por mais difícil de ser desmascarada.
Ora, Spitz, ao ganhar cinco ouros no Pan de Winnipeg, em 1967, simplesmente bateu três recordes mundiais, como bateu outros sete ao ganhar mais sete medalhas de ouro em Munique, nos Jogos Olímpicos de 1972. Compará-lo a Pereira não honra nenhum dos dois.

Fiquemos por aqui, para falar do que é mais chocante, porque sempre com a cumplicidade da mídia.

A tragédia da TAM, que obscureceu o Pan, é rica em ensinamentos. Começou não é de hoje, com o escândalo do Sivam, no governo anterior, e continuou impávida e colossal de lá para cá. Uma frase debochada e ultrajante da ministra do Turismo, um gesto raivoso e moralmente pornográfico do assessor presidencial, um pronunciamento vazio e perplexo do presidente que nunca havia visto uma sucessão de acontecimentos tão caóticos nos aeroportos nacionais e pronto!

Tudo continua como antes, a não ser, é claro, para quem morreu e para quem ficou por aqui, na saudade.

Ora, nem Romário é um artilheiro comparável a Pelé nem Pereira é o novo Spitz nem este governo é mais ou menos culpado que o anterior. Somos todos responsáveis, ou quase todos, que continuamos a voar como voamos, a votar como votamos, a festejar como festejamos e a reclamar mais dos que são rigorosos do que daqueles que são complacentes.

Dar ao Pan-2007 sua verdadeira dimensão é, para muitos, sintoma ou de bairrismo ou de mau humor. E a crise aérea vira exploração política.

Mas o que se vê na TV no Pan, e o que se viu e ainda se verá na TV sobre o avião da TAM, é de dar vergonha de como se faz jornalismo/sensacionalismo no Brasil. O ufanismo sem limites e a demagogia sentimentalóide não nos levarão a lugar algum, a não ser neste em que estamos, do caos, da falta de perspectiva e da acomodação cúmplice e criminosa.

Os resultados superdimensionados do Pan-2007 inevitavelmente se transformarão em frustração quando Pequim chegar, no ano que vem. Ou alguém acredita mesmo que o Brasil superou o Canadá, que é mais saudável e pratica mais esporte que o país norte-americano?

Brasileiro com muito orgulho? Quadro de medalhas: 200 mortos.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Ah, férias...

Finalmente, depois de mais de um ano de trabalho chegou a hora de aproveitar o merecido descanso. Quer saber? Quem dera... Afinal, como (quase) todo mundo sabe, estou em obras. Mas, mesmo assim, deu pra fugir do Rio durante alguns dias. Dei um pulo de três dias em Penedo e, mesmo com a obra me alcançando diariamente, deu pra descansar a cabeça.

Pra quem não conhece, Penedo é um distrito de Itatiaia, única colônia Finlandesa do Brasil. Basicamente, uma rua ou estrada (chamem como quiser). No ‘centro’, o shopping Pequena Finlândia (Casa de Papai Noel, para os íntimos), a maioria dos restaurantes, fábrica de chocolate e quase todas as lojas de bugigangas e badulaques. Dali, um pulo pra Visconde de Mauá e outro para o Parque Nacional de Itatiaia.

Subimos a serra na terça (17) de manhã e chegamos lá na hora do almoço. Entrada no hotel e o primeiro passeio. Era a primeira vez da Mariana por aquelas bandas e fiz meio que as vezes de anfitrião. Pra começar, uma subida até o alto de Penedo e a parada pra almoçar. Depois do almoço, a primeira visita ao centro e uma sonequinha no final da tarde, que ninguém é de ferro. À noite, jantar e só. E pra quem acha ruim, fomos para lá exatamente porque não tem nada o que fazer.

Quarta-feira foi o primeiro dia inteiro e aproveitamos para ir à Mauá. A estrada é horrorosa, mas o passeio vale a pena. No caminho, são vários mirantes e, quanto mais alto, mais bonita fica a vista. Mauá fica a 1.400 metros de altitude e continuando a subir, chegamos a Maringá e (mais acima ainda) Maromba, onde paramos na Cachoeira do Escorrega. Na região, existem vários vales que valem a visita (Vale do Pavão, por exemplo), mas como só tínhamos um dia...

No dia seguinte, fomos ao parque nacional. Sensacional!!! Tudo verde em volta e mirantes lindos, como o Último Adeus. De quebra, uma visita ao Véu da Noiva. Os senões desse dia foram a falta de estrutura ao turista dentro do parque (nem uma lanchonete aberta pra comprar uma água) e o museu do parque fechado pra reformas (na volta, descobri que há mais de um ano).

Saímos do parque e fomos para Itatiaia. A cidade é meio chinfrim, mas ainda tínhamos a visita à hidrelétrica do Funil. Tínhamos. Apesar de constar de todos guias da região, a visitação está suspensa desde o ano passado. Também fomos a Resende, pra constar, a volta pro hotel. Sabe aquela sonequinha no final da tarde?

Na noite de quinta começava o Penedo Winter Festival, com 11 shows de jazz em quatro dias. Todos de graça. A abertura do festival foi com o Julio Bitencourt Jazz Trio e nós estávamos lá. Pra quem achava que não ia ter programa, até que foi bom. Começou com Charlie Parker, passou por Jobim mas depois... A coisa meio que desandou e demos no pé.

Na sexta, depois de sair do hotel e antes de pegar a estrada, ainda visitamos o Pico do Penedinho. E depois de duas trilhas de cerca de 600 metros morro acima (Penedinho e Véu da Noiva), quero muito saber quem foi que disse que é divertido fazer trilha. Tudo bem, depois que você chega no lugar, tudo é lindo mas... Não podia colocar uma escada rolante? E olha que eu to reclamando de duas trilhas pequenas...
No fim, três dias que valeram muito e alma renovada pra encarar a obra. Ainda tenho mais duas semanas de “férias”. Seguem as fotos.

Cachoeira do Escorrega, Maromba
Último Adeus: Parque Nacional de Itatiaia e o lago da hidrelétrica do Funil
Rio das Pedras, Parque Nacional de Itatiaia
Véu da Noiva, Parque Nacional de Itatiaia
Júlio Bitencourt Jazz Trio, Penedo Winter Festival
Mari, na entrada da Casa de Papai Noel
Pico do Penedinho

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Cinderela e os 7 anões

E não é que o time do Dunga ganhou da Argentina... Pois meus amigos, se vocês gostam de futebol de verdade, com armadores que sabem fazer lançamentos e passes precisos e, ainda assim, ocupar os espaços para dificultar e até evitar os ataques adversários, se vocês gostam de centro-avantes lúcidos, de laterais que fazem ultrapassagens e tabelas... Danou-se.

Dunga é a nova Cinderela do futebol brasileiro. Na coletiva de ontem, após o jogo, já tinha um monte de coleguinhas puxando o saco do moço. Um monte de gente que meteu o pau na seleção já está enaltecendo o projeto de técnico. Só resta torcer para que a carruagem não vire abóbora em 2010, nos arredores da Cidade do Cabo.

Antes de mais nada, não posso negar que o Brasil jogou bem. Isso é um fato tão claro quanto a amarelada da Argentina. As duas coisas aconteceram e assim ganhamos mais uma Copa América. Parabéns para o time e sua comissão técnica.

Mas não é por isso que vou esquecer todos os jogos horrorosos anteriores à final e, muito menos, ficar satisfeito porque o Dunga quer escalar quantos dungas puder para envergar a camisa que entrou para a história por ser sinônimo do melhor futebol do mundo. Durante a final, o time do Dunga fez 30 ou mais faltas e, para mim, isso não é futebol.

O Brasil perdeu várias sul-americanas justamente por não dar porrada e jogar futebol. E, por jogar futebol e não dar porrada, cansamos de ganhar o mundo. Pois eu prefiro o mundo. Um grande amigo gaúcho deixou um recado no blog do Boteco 1: “cala a boca Brasil!”. Não consigo. O que o Dunga imagina ser futebol é diferente do que eu conheço como futebol. Aliás, gostaria de lembrar que os times gaúchos campeões do mundo jogaram muito futebol e não deram porrada. Isso sem falar no Inter que foi tri-campeão brasileiro, que jogava muita bola...

Enfim, vamos ver no que vai dar...

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Estou de férias. Vou dar um passeio durante a semana e volto na sexta. Aí, conto como foi e coloco algumas fotos.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Aaaahhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!

Imaginem que vocês estão em um lugar bem tranqüilo, ouvindo sons agradáveis da natureza, como um rio correndo ao longe, folhas e flores balançando ao vento, um ou outro pássaro cantando. Nesse cenário, você está sentado na varanda daquela casa que você sonhou, com a companhia que você sempre desejou. Tudo mais que perfeito quando, de repente...

Aaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!

Um grito gutural, fantasmagórico, horripilante, desesperado e desesperador.

Já experimentou essa situação? Não? Pois se não quer passar por isso, não faça obras em casa. PQP!!! Eu caí nessa armadilha. “Pô, mas fazer a obra não é uma escolha?” Sim e não. Porque, sempre que você resolve fazer uma obra, acontecem duas: a primeira, claro, aquela que você planejou. A outra...

Vou falar da primeira, a escolhida. Você decide melhorar o lugar que você vive e escolhe pisos, tintas, metais etc, etc, etc. É cansativo porque você visita um monte de lojas pra fazer orçamento, fica na dúvida sobre o material que vai utilizar, o quê combina com quê. Pra tudo isso há um planejamento para o qual há uma verba, uma dotação orçamentária (termo lindo, principalmente em época de votação da LDO, Renans e Roriz). Além disso, pedreiro contratado, preço chorado, prazo combinado.

Quando começa a obra, em compensação... Depois de dois ou três dias, você já fica apavorado só de ouvir o telefone tocar. “Gustavo, é o Emerson meu querido. To precisando falar com você, esqueceu de comprar...” Aqui, é bom deixar claro que a expressão ‘esqueceu de comprar’ pode ser substituída por ‘vai precisar’, ‘veio errado’ ou qualquer uma que possa significar “deu merda!”.

(Aproveito para pedir desculpas aos amigos e 3 ou 4 leitores que passam por aqui, pelo palavrão. Eu sei que o espaço é familiar, mas tem horas que só um palavrão expressa realmente a situação. Obra é um caso desses e como, provavelmente, devo voltar ao assunto mais cedo ou mais tarde, já me penitencio antecipadamente.)

A verdade é que, por pequenos detalhes, tudo corria razoavelmente bem lá em casa até a visita da CEG. Verificaram e constataram que a tubulação de gás está entupida e, pela idade da criança (pouco mais de 50 anos), provavelmente vou ter que quebrar tudo porque – se tentar desentupir – há o risco de explodir toda a tubulação do prédio. Não é um espetáculo?
E o que é tudo? Tudo é o prédio, a casa do vizinho e o apartamento abandonado ao lado do meu. Se quebra, tem que refazer. Ou seja, material e mão-de-obra, fora o atraso. Enfim, tô fud...... Então, meus amigos, se ouvirem falar que ‘está lá o corpo estendido no chão’ e o corpo for o meu, não se assustem. Podem avisar a polícia que não precisa nem investigar. A assassina é a obra.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Pitacos de um final de semana

Sexta-feira chegou e trouxe junto o alívio pelo final de mais uma semana. O santo descanso começou com o já tradicional e sempre muito bom chope na Marina onde – junto com a turma do Boteco 1 – pude ver o início da montagem da estrutura da vela no Pan. O termo Mambembe não seria suficiente para descrever o absurdo que estão fazendo, enquanto todo mundo encheu o bolso de dinheiro nas obras faraônicas e superfaturadas das outras instalações. É claro que tudo será bem disfarçado pela decoração dos jogos, mas deixo um agradecimento especial ao Iphan por não permitir que tivéssemos, finalmente, uma Marina bem estruturada e adaptada aos anos 2000.

Ratatouille
Sábado foi dia de ver como anda a obra e não resolver alguns outros problemas. Mas também foi dia de cinema. A aventura do rato cozinheiro em Paris é simplesmente imperdível: roteiro, direção, trilha sonora, animação, fotografia... Não há como falar mal do filme. De quebra, acertaram em cheio ao não desenhar um rato fofinho, inspirado nos Ursinhos Carinhosos.

Rémy (foto) e todos os ratos do filme (e são muitos, acreditem) têm cara de rato. Pra quem gosta de animação, programa excelente para o final de semana. Pra quem não gosta... Deixa de ser bobo e corra pro cinema. Quem tem filhos, vale deixar de ser pão-duro e ir duas vezes: uma para assistir a versão legendada (e a excelente dublagem original) e outra com as crianças, na versão dublada.

6 a 1
Sábado também foi dia de futebol. Sobre o Flamengo eu prefiro não falar e sobre a seleção... Todo mundo feliz porque enfiou 6 no Chile. Não é nada, não é nada, não é nada mesmo. A diferença para o jogo em que o Robinho fez 3 e ganhou sozinho, na primeira fase, é que dessa vez todo mundo resolver aparecer. Até o Wagner Love. Para mim, o jogo só serviu para comprovar que os nossos cabeças-de-bagre são melhores que os deles.

O interessante do jogo foi ver a coletiva do Dunga. Ele disse que sempre teve convicção e sabia que, com o tempo, os resultados iriam aparecer. Tudo ok? Tem certeza? Então vejam:

Diego (elogiado pelo projeto de técnico depois do jogo contra a Inglaterra) chegou à Venezuela titular mas foi barrado depois de 45 minutos por Anderson, que jogou 90 (45 bem, 45 mal) que foi barrado por Julio Batista, a fera. Elano, que foi o homem de confiança durante todos os amistosos, chegou à Venezuela titular-absoluto-intocável-ninguém-mexe-tira-a-mão-que-é-meu e foi barrado por Josué depois de 150 minutos. Poderia até dar outros exemplos, mas haja paciência... Só queria saber onde está a convicção????

Domingão
Corrida e Wimbledon de manhã. Resolver o clube à tarde e mais cinema. O Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado. Não consegui classificar o filme. Os efeitos especiais, como era de se esperar, muito bons, fotografia razoável etc etc etc. Basicamente, é um filme imperdível para os amantes de Marvel, mas que os outros podem esperar chegar à TV a cabo. No final do dia, o macarrão que, dessa vez, não era da Mamma, mas estava excelente.


PS.: Os cariocas já estão treinadinhos para o Pan, todo mundo já sabe encarar engarrafamento direitinho.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O ano em que experimentamos a liberdade


Recebi o texto abaixo por e-mail, da Jamile Attie, pelo Clube de Comunicação. É de Maria Adelaide Amaral, sobre a questão da auto-censura, em pauta nos últimos dias, e publicado no dia 4 de julho, no OESP.

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Toda vez que escuto O Bêbado e o Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, na voz de Elis Regina, lembro-me da esperança que nos invadiu em 1979, com os exilados voltando, os ventos da liberdade soprando e Papa Highirtie finalmente no palco, anos depois de sua encenação ter sido proibida pelo governo militar. Oduvaldo Viana Filho não viu sua peça encenada. Como também não assistiu à montagem de Rasga Coração (reprodução do cartaz ao lado), texto escrito em seu leito de morte e igualmente censurado. Tinha falecido em 1974. Nesse ano dava meus primeiros passos como dramaturga, mas só consegui realmente estrear em 1978, com Bodas de Papel.

Lembro-me da nossa tensão no ensaio para o censor, Madeira (não recordo o prenome), um homem bem-educado, senhor do nosso trabalho e da nossa vida. Quando o espetáculo foi aprovado sem cortes, respiramos aliviados e gratos à boa vontade do Sr. Madeira. No entanto, isso era apenas uma das faces perversas da censura: quando se depende da boa vontade de um censor, significa que os critérios que permitem ou proíbem uma obra são pessoais e subjetivos.

Tive muita sorte com a liberação de Bodas de Papel. Já com Cemitério sem Cruzes a história foi diferente. O texto fazia parte da Feira Paulista de Opinião, promovida por Ruth Escobar em 1978, e dela também participavam obras de Dias Gomes, Jorge de Andrade, Carlos Queiroz Telles, Lauro César Muniz, Carlos Henrique Escobar, Gianfrancesco Guarnieri, João das Neves, Leilah Assunção e Márcio de Souza. O evento não chegou a ser realizado porque todas as obras foram proibidas em bloco. Todos nós fomos censurados numa ação decidida pelo próprio Ministério da Justiça. Por que? Porque é assim que acontece nas ditaduras. A premissa é a de que a população carece de maturidade e discernimento para avaliar o que é melhor para si e, portanto, necessita de um grande tutor – o Estado. Cabe a ele decidir o que é melhor para o povo e, não por coincidência, esse ‘melhor’ é tudo que colabora para a estabilidade do regime e a continuidade no poder de seus governantes.

- Está certo. Eles têm a censura deles. Nós vamos ter a nossa – costumava dizer um colega da Abril Cultural, militante de conhecido partido de esquerda (suponho que ainda seja), naqueles anos 70. A primeira vez que ouvi a frase fiquei estarrecida. Alguns companheiros riram, mas não era piada. Ele falava sério. Mas nós não queríamos nenhuma censura, nem de direita nem de esquerda.

Nos anos 70, clamávamos por liberdade para que nunca mais nenhum autor morresse, como Vianinha, sem ver seus textos encenados; para que nunca mais uma peça premiada pelo Serviço Nacional de Teatro (A Patética, de João Ribeiro Chaves) fosse sumariamente proibida porque tratava da morte de um jornalista (Vladimir Herzog) nos porões da ditadura; para que nunca mais razões arbitrárias, escusas ou absurdas determinassem a mutilação ou proibição de um filme, peça ou livro, ou impedissem uma notícia de ser veiculada. Em nome da liberdade abrigamos amigos perseguidos pelos órgãos de repressão, angariamos fundos para os metalúrgicos em greve no ABC, sustentamos a imprensa nanica, saímos às ruas e subscrevemos manifestos e abaixo-assinados contra a repressão.

Para quem viveu os anos de chumbo da ditadura militar e teve que se haver com a truculência ou irracionalidade das decisões da Censura, os sinais de abertura que se fizeram sentir em 1979, eram puro oxigênio. A liberdade não era mais uma palavra, um libelo, um alvo remoto, um destino a atingir. Enfim podíamos respirar, sonhar, escrever, criar livremente. Em agosto de 1979, Cecil Thiré ligou do Rio pedindo para que eu reescrevesse um diálogo fundamental entre os dois personagens centrais de A Resistência, que ele estava dirigindo no Teatro Gláucio Gil. Tratava-se de Léo, um ex-preso político e Luis Raul, que tinha sido de esquerda e acabara aderindo ao movimento hippie. Era um momento de embate, em que as posições políticas e as razões de cada um seriam confrontadas. Um ano antes a cena inviabilizaria a peça inteira. Quando o texto passou incólume pela Censura, senti que os dias de D. Solange estavam contados.

Quase 30 anos depois ressurge o fantasma, não de D. Solange mas o da posição daquele meu colega que justificava a censura do governo militar antevendo a do próprio partido. O colega em questão felizmente não faz parte dos quadros do governo mas as suas convicções continuam ativas a despeito do colapso do mundo que as originou. Não foi para exumar maus cadáveres que saímos à rua lutando pelas Diretas, não foi para isso que combatemos o bom combate. Mas se for preciso combateremos outra vez.

Maria Adelaide Amaral

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Seleção canarinho

Hoje é o dia de um doloroso jubileu de prata pra quem gosta de futebol. Há exatos 25 anos acontecia o jogo que ficou conhecido como a Tragédia do Sarriá. Naquele dia, muitas coisas impressionantes aconteceram: Paolo Rossi (foto ao lado) marcou três vezes contra o Brasil, Cerezo tentou atravessar a bola de um lado ao outro do campo em plena intermediária brasileira, rasgaram a camisa do Zico na área e não marcaram pênalti, todo brasileiro com tv em casa lembrou do Jô Soares (Bota o ponta, Telê!).

Eu tinha oito anos em julho de 82 e aquele time é a minha primeira lembrança perfeita de uma copa do mundo. E aquele time inteiro só não era o meu próprio time de botão porque não gostava do Chulapa e (venhamos e convenhamos) o Flamengo daquela época era muito melhor.

Aquela Seleção Brasileira (reparem que, diferentemente de quando me refiro ao time do Dunga, aqui eu uso letra maiúscula) passou a integrar um lista de times incríveis que não conseguiram erguer a taça: Brasil 1938 (pouparam o Leônidas na semi e a vaca foi pro brejo), Brasil 1950 (coitado do Barbosa), Hungria 1954, Holanda 1974, Dinamarca 1986.

Daí que, apesar da derrota, não conheço ninguém que não lembre ou se refira àquele time com carinho. Mesmo os que acham que o importante é ganhar. Já ouvi muita gente falar o seguinte: “a Seleção de 82 foi a última Seleção Brasileira que existiu de verdade”. Não sou tão radical, pois acho que em 1986 nosso time era quase tão bom quanto aquele, mas se pensarmos bem... Mesmo com os títulos de 94 e 2002, alguma outra seleção encheu os olhos da turma? Não, os meus.

Mas aquela Seleção, além de jogar um futebol lindo, teria outros significados. Lembro de todo mundo em volta acompanhando a copa com uma esperança que não vi nas disputas seguintes. E só depois de muitos anos, me passou pela cabeça que, naquele momento, o Brasil encarava a “abertura lenta, gradual e segura”, pouco depois da anistia geral e irrestrita. A representava a esperança. Se a Copa de 70 foi útil aos militares, a de 82 serviria à democracia. No final das contas, entre a Seleção de 82 e a democracia, uma naufragou e outra... Ainda tenho minhas dúvidas.

Em homenagem ao escrete de 82, segue abaixo a letra do samba “Povo Feliz (Voa canarinho, voa)”, que o Júnior gravou e vendeu 600 mil cópias (não lembro nem achei os nomes dos autores, alguém ajuda?).

Voa, canarinho, voa

Mostra pra este povo que é rei
Voa, canarinho, voa
Mostra na Espanha o que eu já sei

Verde, amarelo, azul e branco

Formam o pavilhão do meu país
O verde toma conta do meu canto
Amarelo, azul e branco
Fazem meu povo feliz

E o meu povo Toma conta do cenário

Faz vibrar o meu canário
Enaltece o que ele faz
Bola rolando

E o mundo se encantando
Com a galera delirando
Tô aqui e quero mais

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Em 'homenagem' ao time do Dunga que, ontem, com quatro 'dungas' em campo, goleou o Equador por 1 a 0 (pênalti batido por Robinho), seguem as notas dadas pelo ácido Juca Kfouri, em seu blog:

- Dunga, o comandante deve vir na frente. E você vai ter de engoli-lo: 10
- Doni, sinônimo de segurança: 9
- Daniel Alves, o novo Carlos Alberto Torres: 8
- Alex Silva, só não é melhor, na zaga do São Paulo, do que Miranda: 7
- Alex, fez um pênalti bobo: 7
- Juan, não deu um pontapé e não deixou Diego entrar no lugar de Julio Baptista porque havia um escanteio: 4

- Gilberto, tão bom como Nilton Santos: 8
- Kléber entrou e tem talento demais para jogar neste time: 6
- Gilberto Silva, não deixa sentir saudades de Paulo Roberto Falcão: 7
- Mineiro, como um Zito: 7
- Josué, Didi redivivo: 7
- Julio Baptista, bestas somos nós: 8
- Diego entrou apenas para comprovar que nosso grande Dunga não é rancoroso: 4
- Robinho, só firulas e um gol (argh!): 3
- Vagner Love, quase fez dois gols: 5
- Comportamento da torcida venezuelana que vaiou o tempo inteiro porque entende é de beisebol: zero
- Condições do gramado: não provei.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Dungas e mais dungas...

Parece que o Dunga conseguiu mesmo o que queria desde o início: escalou quatro ‘dungas’ no meio-campo da seleção brasileira. Não acredita? Pois vejam o que vai a campo hoje à noite, contra o Equador, na Copa América: Josué, Mineiro, Gilberto Silva e Júlio Batista. O pior é que, na lógica torta desse rapaz que tenta se travestir de técnico da Seleção Brasileira, há uma certa razão.

Pois na coletiva de ontem (é, não se fazem mais entrevistas ou bate-papos informais com os técnicos à beira do campo) ele soltou a seguinte pérola: “não é engraçado? Com dois volantes não fizemos os gols que fizemos com três...”. Ou seja, já que vamos jogar com quatro volantes, vamos golear o Equador impiedosamente.

O que me impressionou é que não vi, na coletiva, nenhum coleguinha fazer a seguinte pergunta: “os três volantes fariam os gols se o Robinho não estivesse em campo?”

Apesar de acabar torcendo a favor e de querer ganhar a Copa América de novo (de preferência, em cima da Argentina de novo), morro de medo de que ele dê sorte e acabemos chegando à África do Sul, em 2010, com 11 ‘dungas’ em campo. Haja coração...

Aproveito pra deixar claro uma coisa: se ele, o Dunga, escalasse um time de futebol de verdade (daqueles que tocam bola, fazem tabelas e lançamentos e outras coisas do gênero), torceria muito a favor dele. Perder faz parte de qualquer jogo e não é por torcermos loucamente que vamos esquecer esse detalhe. O problema é que não acredito que o time que ele escala seja, de verdade, um time de futebol.


P.S.: Fico imaginando os terríveis pesadelos do Dunga sobre a escalação da seleção quando Kaká, Ronaldinho e Cia. estiverem prontos pra jogar pelo escrete canarinho.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Festa na roça

No sábado aconteceu o Arraiá da Luluzinha. Teve lua chêa, fuguêra e uma decoração bunita pra mó de vê...


Tava lá as cumadre e os cumpadi

A razão da festa era um casamento daqueles bem esperado mesmo. E teve pompa e circunstânça. Inquanto o padre esperava no altá...
adentraram as daminha e os padin.

Dispois, viéro o noivo coa mãe da noiva

e no finar da fila, o pai pra lá di orguioso com sua fromosura de fia



Ia tudo correno bem

Quando dirrepenti uma moça invadiu a festa i interrumpeu o casório. Vixe, foi uma bagunça só... A moça dizia que o pai do fio qui ela tava isperanu era o noivo.

Pois o pai da noiva, furioso quasi martô o disinfeliz pra defendê a honra da fia

Num sei como, mas acarmaru o véi e o noivo tratô di pidi perdão

Num sei o qui si arranjô por lá, mas nu fim deu tudo certo e o casamento aconteceu

E logo dispois da serimôna, o baile foi pra lá di bão.

Tá bão, tá bão... Oceis deve di tá curioso pra mó di sabê cuméqui se arresorveu a confusão. Pois intão vô confeçá: mi incantei pela moça e, pur um dinheirim bem rasoárve todo fim de mêis, aceitei casá e adotá o minino que ela tá isperanu.



2ª Edição (04/07 - 13h01): Erro vergonhoso, ainda mais para quem se diz jornalista. Não dei os respectivos créditos das fotos. Na verdade, estão misturadas e a esta altura, já não sei mais qual foto é de quem, mas - tentando minimizar a falha... Pedro (namorado da Mariana - filha do Oscar, o noivo - e de quem não sei o sobrenome) e Morcegão (vulgo Leonardo Mauro) são os autores das imagens acima.