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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Mané

É possível ter saudade de algo que não se viu, não se viveu? Pois eu tenho. Várias delas. Saudades que se desenvolveram por ouvir falar ou por ler o que andaram escrevendo por aí.

Tenho saudades, por exemplo, de Fangio pilotando, dos grandes festivais, de Pelé e Coutinho tabelando... É claro que tudo isso conseguimos assistir em vídeo, ver as fotos etc. Mas, na saudade, há coisas que não se contam: sons, cheiros, olhares, silêncios.

Uma dessas saudades é Mané.

Tenho um amigo que, ao se apresentar como botafoguense, sempre segue a frase: “tive infância”. Não consigo dissociar isso de Garrincha, de suas poucas imagens e das suas muitas histórias.

E graças a essas histórias, não foram poucas as vezes que sonhei estar no Maracanã, de boca aberta na arquibancada, enquanto o Mané deixava dois ou três de bunda no chão. Tantas quantas sonhei estar numa arquibancada da Suécia quando aquele ponta estranho, todo torto, deixou atônito todo o ‘científico’ time da União Soviética para fuzilar Yashin. Sonhos tão absurdamente reais que seria capaz de dizer quanto estava gelado o Grapette que bebi no Maracanã ou o quanto me incomodava a fumaça do charuto vagabundo daquele sujeito de língua estranha sentado ao meu lado na Suécia.







Enfim, faz 25 anos que muita gente, os que viram e muitos que não viram, sente saudade. Domingo, 20 de janeiro de 2008, dia de São Sebastião. 25 anos da morte de Garrincha. Ah, que saudade...


Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.”
(Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Adeus ano velho

Já há algum tempo, me acostumei – com o correr de dezembro – a fazer uma retrospectiva, uma espécie de balanço do que foi meu ano. É muito bom saber que meu saldo tem sido muito positivo.

A idéia não tem nada de original, é muito bom que se diga. Talvez, transformar essa história em mensagem de Natal e ano novo seja um pouco mais nova. Seria pretensão mostrar que não precisamos de realizações grandiosas ou eloqüentes para, mais do que simplesmente boa, ter uma vida em paz e de sucesso?

Em 2007 comecei o ano, pela primeira vez, na praia de Copacabana; me apaixonei; pulei carnaval em blocos e na Sapucaí; joguei (muito pouco, outra vez) botão; fui à praia no Rio e em Paraty; namorei; fui a Penedo; corri e ganhei regatas com meu amor a bordo; fiz obra em casa; noivei; tive matérias publicadas nos sites de vela mais importantes do Brasil; perdi e ganhei discussões; não visitei três amigas que se tornaram mães; reencontrei amigos de longa data, daqui e de além mar; criei dois blogs (esse e o outro); freqüentei as Ordinárias do Boteco 1; fui à Ponte Alta de Minas; realizei o sonho de defender meu clube de coração em uma competição oficial; dancei quadrilha em festa junina; fui para Niterói de barca; fui a reuniões do Clube de Comunicação; trabalhei mais do que gostaria e menos do que poderia; fui ao Maracanã ver o Flamengo e o Fluminense; comecei a estudar espanhol; dormi pouco; fiz aula de dança; toquei pouco e não compus nada; me divorciei; torci o pé; casei; fui ao Espírito Santo; fui à academia; fui a um show, não fui ao teatro e fui muito pouco ao cinema; comprei uma cachorra; voltei a Paraty; fui campeão do Circuito Rio; fui à Lapa; visitei Santa Teresa; briguei e fiz as pazes.

Resumidamente, vivi. E muito bem, é bom que se diga. Chego ao final de 2007 com um sorriso estampado no rosto, tão largo que era impossível de prever em 2006.

Para os amigos, desejo um Natal de muita paz e que o saco do Papai Noel seja bem gordo.

E desejo, também, que 2008 seja, para todos nós, repleto de vida: realizações, conquistas, sonhos realizados, saúde suficiente para aproveitar coisas boas e superar dificuldades, dinheiro suficiente para viver tranqüilo, fazer no mínimo uma viagem e se dar – ao menos – um grande presente de aniversário. Que no final do ano que vem, possamos todos estampar nos rostos sorrisos abertos, maiores que os de 2007 e muito menores que os de 2009.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Seleção canarinho

Hoje é o dia de um doloroso jubileu de prata pra quem gosta de futebol. Há exatos 25 anos acontecia o jogo que ficou conhecido como a Tragédia do Sarriá. Naquele dia, muitas coisas impressionantes aconteceram: Paolo Rossi (foto ao lado) marcou três vezes contra o Brasil, Cerezo tentou atravessar a bola de um lado ao outro do campo em plena intermediária brasileira, rasgaram a camisa do Zico na área e não marcaram pênalti, todo brasileiro com tv em casa lembrou do Jô Soares (Bota o ponta, Telê!).

Eu tinha oito anos em julho de 82 e aquele time é a minha primeira lembrança perfeita de uma copa do mundo. E aquele time inteiro só não era o meu próprio time de botão porque não gostava do Chulapa e (venhamos e convenhamos) o Flamengo daquela época era muito melhor.

Aquela Seleção Brasileira (reparem que, diferentemente de quando me refiro ao time do Dunga, aqui eu uso letra maiúscula) passou a integrar um lista de times incríveis que não conseguiram erguer a taça: Brasil 1938 (pouparam o Leônidas na semi e a vaca foi pro brejo), Brasil 1950 (coitado do Barbosa), Hungria 1954, Holanda 1974, Dinamarca 1986.

Daí que, apesar da derrota, não conheço ninguém que não lembre ou se refira àquele time com carinho. Mesmo os que acham que o importante é ganhar. Já ouvi muita gente falar o seguinte: “a Seleção de 82 foi a última Seleção Brasileira que existiu de verdade”. Não sou tão radical, pois acho que em 1986 nosso time era quase tão bom quanto aquele, mas se pensarmos bem... Mesmo com os títulos de 94 e 2002, alguma outra seleção encheu os olhos da turma? Não, os meus.

Mas aquela Seleção, além de jogar um futebol lindo, teria outros significados. Lembro de todo mundo em volta acompanhando a copa com uma esperança que não vi nas disputas seguintes. E só depois de muitos anos, me passou pela cabeça que, naquele momento, o Brasil encarava a “abertura lenta, gradual e segura”, pouco depois da anistia geral e irrestrita. A representava a esperança. Se a Copa de 70 foi útil aos militares, a de 82 serviria à democracia. No final das contas, entre a Seleção de 82 e a democracia, uma naufragou e outra... Ainda tenho minhas dúvidas.

Em homenagem ao escrete de 82, segue abaixo a letra do samba “Povo Feliz (Voa canarinho, voa)”, que o Júnior gravou e vendeu 600 mil cópias (não lembro nem achei os nomes dos autores, alguém ajuda?).

Voa, canarinho, voa

Mostra pra este povo que é rei
Voa, canarinho, voa
Mostra na Espanha o que eu já sei

Verde, amarelo, azul e branco

Formam o pavilhão do meu país
O verde toma conta do meu canto
Amarelo, azul e branco
Fazem meu povo feliz

E o meu povo Toma conta do cenário

Faz vibrar o meu canário
Enaltece o que ele faz
Bola rolando

E o mundo se encantando
Com a galera delirando
Tô aqui e quero mais

•••

Em 'homenagem' ao time do Dunga que, ontem, com quatro 'dungas' em campo, goleou o Equador por 1 a 0 (pênalti batido por Robinho), seguem as notas dadas pelo ácido Juca Kfouri, em seu blog:

- Dunga, o comandante deve vir na frente. E você vai ter de engoli-lo: 10
- Doni, sinônimo de segurança: 9
- Daniel Alves, o novo Carlos Alberto Torres: 8
- Alex Silva, só não é melhor, na zaga do São Paulo, do que Miranda: 7
- Alex, fez um pênalti bobo: 7
- Juan, não deu um pontapé e não deixou Diego entrar no lugar de Julio Baptista porque havia um escanteio: 4

- Gilberto, tão bom como Nilton Santos: 8
- Kléber entrou e tem talento demais para jogar neste time: 6
- Gilberto Silva, não deixa sentir saudades de Paulo Roberto Falcão: 7
- Mineiro, como um Zito: 7
- Josué, Didi redivivo: 7
- Julio Baptista, bestas somos nós: 8
- Diego entrou apenas para comprovar que nosso grande Dunga não é rancoroso: 4
- Robinho, só firulas e um gol (argh!): 3
- Vagner Love, quase fez dois gols: 5
- Comportamento da torcida venezuelana que vaiou o tempo inteiro porque entende é de beisebol: zero
- Condições do gramado: não provei.