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terça-feira, 11 de março de 2008

Começou a temporada 2008

PS: essa é a primeira vez que escrevo um PS antes do texto. Mas é só pra avisar aos que não conhecem alguns termos e outros detalhes: cliquem nos links abaixo com o botão direito e mandem abrir em outra janela.

Quase quinze dias sem escrever. De lá pra cá, treinos aos finais de semana e, finalmente, começou a temporada 2008 de Velamar22. E começou atropelando.

A primeira competição é logo o campeonato estadual, dias 8, 9, 15 e 16 de março. Previsão de oito regatas. Tranqüilo? Pois no primeiro final de semana não foi nada fácil.

As condições permitiram que a programação fosse adiantada e tivemos três barla-sota por dia. Cada regata com aproximadamente quatro milhas, velocidade média do vento de 22km/h e sob um sol escaldante que variava entre 35 e 40º.

Cada regata acontecia mais ou menos assim: tiro de 5 minutos para a largada, tiro de 4, roda pra cá, roda pra lá, arruma tudo no barco, faltando 2 minutos levanta genoa e aponta pra linha, tiro de um minuto, 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, largou (na linha é uma baita gritaria: “orça!!!”, “água!!!” e alguns outros impropérios), meia milha até a bóia com algumas cambadas, uma milha até a outra bóia com vários jaibes, uma milha até a primeira bóia e mais cambadas, mais uma milha até a outra bóia com mais jaibes, meia milha até a linha de chegada com algumas cambadas. Tudo isso vezes três no sábado e no domingo.

Nosso primeiro dia não foi dos melhores. Entre dez barcos na água, dois quintos e um oitavo lugar, terminando o dia na sexta posição geral. Na verdade, e sem meias palavras, fizemos um monte de cagadas a bordo e o dia foi uma bosta.

O domingo melhorou: largamos muito bem a primeira regata e lideramos até a última bóia, mas demos bobeira e entregamos a marcação, terminando em segundo. A disputa do início ao fim foi com o Smooth, do Ricardo, e foi apertada e bem divertida como vocês podem ver na foto.

A segunda regata de domingo foi a melhor até agora. Íamos para a linha quando fizemos uma lambança de entrar pra história. Só para ter uma idéia, largaríamos em primeiro e acabamos saindo em último e longe... E por que essa foi a melhor?

Completamente fora da disputa, decidimos fazer diferente da maioria, optamos por bordos opostos da raia e alguns outros detalhes. Passamos na primeira bóia em oitavo, na segunda em quinto, na terceira bóia estávamos em quarto e, finalmente, montamos a última bóia em segundo. O líder estava disparado e, mesmo que a regata durasse o dobro do tempo só o alcançaríamos se houvesse algo inusitado. Mas terminamos em segundo comemorando.

Na última regata, fizemos até uma largada bem razoável mas cometemos alguns erros e terminamos em quarto. Como é possível descartar o pior resultado a partir da quinta regata, o Picareta terminou o final de semana na terceira posição. Faltam duas regatas para encerrar a disputa e, se o vento aparecer, serão de percurso médio e realizadas no sábado.

Por enquanto, aproveito a semana para me recuperar de duas retrancadas na cabeça, o mesmo braço com distensão e tendinite e as pernas doendo. E antes que vocês digam que, de alguma forma, isso parece ruim, não conheço ninguém que pense em desistir e não aparecer no próximo sábado.

Fotos: L.O. Bernardes

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Bota o barco no vento Morcegão!!!


Há um ano atrás, esse grito que faz as vezes de título do post era o que mais se ouvia dentro do Picareta.

“Por incrível que possa parecer, esse ano vai ser mais difícil subir no pódio.” Essa frase está no post aí embaixo, publicado antes do feriado. E tinha razão pra isso: cada vez mais barcos diferentes estão vencendo regatas; fomos apenas o sexto geral e vice-campeões B no estadual; nas duas últimas provas antes do circuito Rio, ficamos em segundo na Ciaga e oitavo na Escola Naval...

De quebra, o 01 (Vela e Mar) chegou arrebentando e levando o estadual, fora o Smooth que é sempre O favorito (desculpe Ricardo, sei que não gosta, mas em condições normais ainda acho que você é o cara a ser batido). Sejamos sinceros, dava pinta que brigaríamos com mais 3 ou 4 pelo último lugar no pódio, se tivéssemos sorte.

Pois vejam só o que aconteceu. A primeira regata do Circuito Rio foi a Victor Demaison, um percurso aproximado de 12,5 milhas (se tudo fosse feito em linha reta). Durante a manhã não tinha vento e só chegamos à linha de largada porque fomos rebocados pelo bote do clube até o meio do caminho. E dos oito barcos que participaram, só três largaram na hora: nós, o Smooth e o 01.

Largamos com brisa e paramos pouco depois, sem vento. Ficamos boiando, cozinhando na Baía de Guanabara. O problema é que, quem chegou atrasado, viu a gente parado e conseguiu pegar umas rajadinhas bem perto da praia. E menos de meia hora depois da largada, estávamos em sétimo. O último era o Smooth.

Aos poucos o vento foi chegando e nós andando em direção à Ponte e o vento soprando, e nós saindo do bolo, e o lindo balão azul cheio e empurrando o Picareta. Andamos muito e na montagem da segunda bóia, já estávamos em quarto, com o Smooth em terceiro.

Voltando em direção à entrada da baía, fomos serpenteando pelos lados de Niterói, encostados nas pedras de Mocanguê e do DHN. Passando pela Escola Naval é que começou o show do Picareta. Atravessamos em direção ao Rio e seguimos sozinhos. A essa altura, já brigávamos para ser segundo ou terceiro, no final, pois o 01 era o líder disparado, também para os lados do Rio.

Vento soprando, nós sentados na borda pra equilibrar o barco, Morcegão botando o barco no vento e, de repente, não mais que de repente, surge o 01 cruzando a nossa proa em direção a Niterói para tentar marcar o restante da flotilha. Pois ele foi, largou a gente e, quando chegamos na última bóia antes da linha, os dois últimos na largada estavam na frente. Smooth em primeiro, Picareta em segundo e cinco barcos chegando em um espaço de menos de um minuto depois de quase três horas. O 01 chegou em sexto. Impossível começar o campeonato de maneira melhor. Mas ainda faltavam quatro regatas...

Sábado quente, filtro solar 40 pra segurar a onda. E nós boiando esperando o vento entrar pra ter largada. Duas regatas barla-sota programadas pra começar ao meio-dia e o vento só chegou um hora depois. Largada normal, um pouquinho atrapalhados por barcos de outras classes e lá vai o Picareta fazer diferente. Enquanto todo mundo ficou serpenteando no meio da raia, mais pro lado do Rio, lá fomos nós pra Niterói. Deixaram a gente sozinho e montamos a primeira bóia em primeiro. O resto da regata foi de marcação e o Picareta venceu de ponta a ponta, com o 01 em segundo.

Quando largaríamos para a segunda regata do dia, o vento merrecou e a prova foi cancelada. Bom pra gente que, àquela altura, liderávamos o campeonato. Mas ainda faltavam duas regatas.

Domingo, a primeira regata estava marcada para uma da tarde. Vento firme e tudo acontecendo no horário. O Dona Zezé largou muito bem e disparou na frente. Nós, muito atrapalhados na largada, fomos pra recuperação. Tem horas que não dá pra ser humilde: velejamos pra cacete!!!. Chegamos em segundo, atrás do D. Zezé e com o resultado...

Fomos para a última largada com o vento começando a roncar. Em vez de quatro, seriam cinco pernas. Largamos muito bem e na segunda bóia estávamos em segundo. Fizemos outra escolha diferente da maioria e montamos a terceira bóia em primeiro. A frente fria chegou com vento entre 20 e 25 nós e, pra não desgastar o material ou correr riscos, abandonamos. É isso mesmo, não precisávamos terminar a última regata porque já éramos CAMPEÕES!!!

Foi um final de semana inesquecível. Velejamos muito, não erramos nenhuma escolha tática, não erramos nenhuma manobra – só fizemos três ou quatro mais enroladas. O Dona Zezé também ganhou a segunda regata de domingo e, com dois quintos, foi vice; o Smooth terminou em terceiro, com uma vitória, um segundo e um quinto. A curiosidade é que fomos os mesmo três no pódio do ano passado.

Enfim, muito muito muito obrigado ao comandante Morcegão, Armando e Aline, tripula duca. E muito obrigado aos amigos que torceram por nós, não foram poucos telefonemas pra saber como estavam as coisas.
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Picareta/Boteco 1, Velamar22 campeão do 38º Circuito Rio de Vela Oceânica.
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Obs.: Quem quiser ver os resultados completos de todas as classes (foram quase 80 barcos na água), acesse http://www.icrj.com.br/ e faça o caminho /vela/, /regatas/, /novembro/, /38º Circuito Rio/.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Vem aí o Circuito Rio

Como já havia dito no post anterior, nesse final de semana prolongado pelo feriado de Finados, rola o 38º Circuito Rio de Vela Oceânica. Para os que não sabem, o CR é a competição mais antiga da vela oceânica no Brasil e, pela segunda vez, estarei lá.

Na foto aí em cima está a tripulação do Picareta/Boteco 1: Armando, Morcegão e Aline. Em 2006, com o Alfeu no lugar da Aline, conseguimos terminar em terceiro, o que foi um grande feito, pois o Picareta foi pra água pela primeira vez no final de agosto e a tripulação que disputou o CR – exceção ao Armando - nunca tinha velejado antes disso.

Por incrível que possa parecer, esse ano vai ser mais difícil subir no pódio. Isso porque, nesse ano que passou, a classe Velamar22 evoluiu muito e as disputas estão cada vez mais equilibradas. A previsão é de que haja uns dez barcos na água e, do mesmo jeito que podemos vencer, podemos chegar em oitavo. Pra vocês terem uma idéia de como anda apertado, no Campeonato Estadual desse ano, disputamos sete regatas e foram cinco vencedores diferentes.

O campeonato é composto por cinco regatas. Na sexta, acontece a abertura com Regata Victor Demaison, uma prova de percurso médio e que na pontuação final tem peso 1,25. Sábado e domingo acontecem as quatro regatas restantes em sistema barla/sota e com peso 1.
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Para o campeonato ser validado, é necessário que aconteçam pelo menos duas regatas nos três dias. A partir da terceira, o pior resultado é descartado.
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O que anda aporrinhando a gente um pouquinho é a previsão do tempo (cliquem na imagem aí do lado pra ampliá-la). Parece que vai chover bastante e ventar pouco nos três dias de competição. Isso significa que vamos ficar molhados e sentir frio o tempo todo e, de quebra, fazer milagre dentro d’água. Se o pouco vento se confirmar, seremos bastante prejudicados, pois nossa tripula não é das mais leves. Além disso, com pouco vento, é possível que não aconteçam todas as regatas previstas, reduzindo ainda mais a margem de erro.

Toda a história contada é para ajudar os amigos a entenderem um pouquinho e convencer a todos a torcer e rezar (por que não?!) por nós. Que Santa Clara clareie e que Eólo visite a Baía de Guanabara para encher nossas velas.

PS: se as previsões estiverem erradas e o tempo ficar bom no Rio, vale muito a pena dar uma passada no aterro. O melhor lugar pra ver alguma coisa e bater belas fotos é perto do Porcão Rio’s. Vale pelo passeio, vale pela paisagem, vale pelas cenas lindas que mais de cem veleiros – juntos – proporcionarão.

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Brasil 2014

Por mais que não queira, não dá pra não falar de algumas coisas. A Copa do Mundo no Brasil é uma delas.

Depois de todo o dinheiro gasto (e desaparecido) e o pouco resultado prático (cadê o legado para a cidade?) do Pan, o que podemos esperar da Copa? Pois é, não dá pra não ficar pessimista.

Resta torcer para que tudo corra como deve, que a infra necessária seja instalada, que nossa segurança melhore, que o orçamento seja respeitado etc. etc. etc. E que a Fifa e mídia, como fiscalizadoras da bagaça, cumpram seu papel corretamente.

Porque se tudo der certo, serei um dos primeiros a comprar um ingresso pra final.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Fim da festa

Demorei a escrever sobre porque andava meio puto com o resultado da bagaça. No final das contas, nada que as cervejas e salgadinhos por conta da organização, na festa de premiação, sejam incapazes de amenizar.

Terminou no domingo o Campeonato Estadual de Velamar22, o primeiro com a participação do Picareta/Boteco 1. A tripulação é essa aí em cima: Armando (tático, trimmer e português), Morcegão (comandante, leme e dublê de chef), Aline (proeira, esposa do Armando e por vezes histérica) e esse que vos fala (secretário, raramente trimmer e metido a engraçado).

Nas quatro regatas que completaram o campeonato (duas sábado e duas domingo) conseguimos os seguintes resultados, pela ordem: 8º, 2º, 6º e 7º. No final, terminamos em sexto na geral (13 barcos) e vice-campeões estaduais na categoria B (afinal foi a nossa estréia).

Além de velejar ser bom pra burro, não importa a circunstância, andar com essa turma é sensacional. Entre uma regata e outra, quando chega em terra e, às vezes, no meio da regata (combinamos que assim, nunca mais), o pau quebra. E não é bonito de ver não. Mas, lavada a roupa suja, tudo volta ao norma em, mais ou menos, 4m13s.

É claro que as discussões acontecem porque ta todo mundo tentando melhorar. E apesar de parecer ruim (na verdade, é meio frustrante mesmo), esse sexto lugar até que foi bem razoável.

Nas sete regatas, houve cinco vencedores diferentes. Os dois que ganharam duas foram campeão e vice. Nós levamos uma e ainda fizemos mais um segundo lugar. Além disso, com o resultado, assumimos o quarto lugar no ranking anual. Agora, os quatro primeiros são os mesmos do ano passado. Ou seja, a briga vai ser animada até o final do ano.

Até outubro, por conta da arrumação da velha casa nova e do casório, perco algumas regatas. Volto a bordo na reta final da preparação do Circuito Rio, campeonato em que fomos terceiro no ano passado.

No final das contas, foi uma campeonato muito divertido e ainda levei mais um trofeuzinho para a já recheada, apesar de nova, coleção do Picareta.

Quem quiser conhecer a classe e ver as fotos do campeonato, é só acessar
www.velamar22.com. Divirtam-se.
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2ª edição: tinha colocado os resultados errados, devidamente corrigidos pelo Armando.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Estréia, vitória e derrota

Andei meio preguiçoso nos últimos dias e sem muita paciência pra escrever. E as manchetes da última semana também não foram inspiradoras, convenhamos. Mas resolvi dar um oi pra turma e contar as aventuras do final de semana.

Começou, no último sábado, o Campeonato Estadual de Velamar22. Estréia geral, pois é o primeiro estadual da brava tripulação do Picareta: além de mim, o comandante Leonardo 'Morcegão', Armando e Aline . E as coisas não começaram tão mal não, mas...

Antes de mais nada, é bom explicar as regras do negócio pra ninguém ficar boiando (sem trocadilho, juro). O campeonato começou sábado e só termina no próximo domingo. Se tudo acontecer como o previsto, serão sete regatas ao todo, todas disputadas na enseada de Jurujuba, em Niterói. Para que o campeonato seja validado, é necessário que aconteçam quatro regatas e a partir da quinta já poderemos descartar o pior resultado.

Então, vamos às regatas. A largada estava marcada para as 13h, mas o vento não apareceu e ficamos boiando por quase duas horas. Em compensação, quando chegou, veio com vontade: média de 18, rajadas de 28 nós. Nossa primeira largada aconteceu pelas três da tarde e, sem modéstia, foi uma grande largada. Pulamos na frente e disputamos a ponta até primeira bóia. Aí, deu m. Precisamos fazer uma manobra muito rápida e acabamos nos enrolando. Caímos de terceiro para nono e só conseguimos recuperar uma posição até a linha de chegada.

Enquanto esperávamos a segunda largada do dia, o pau quebrou dentro do barco. Mas funcionou.
Não largamos tão bem quanto antes, mas estávamos no bolo. Na terceira perna da regata, optamos por um bordo diferente da maioria da flotilha e o resultado não poderia ser melhor. Chegamos em primeiro na montagem da última bóia (quase batemos nela, o que destruiria nossa reação) e em direção à linha, nosso trabalho foi marcar os dois barcos que vinham babando atrás. A chegada foi por fio de cabelo, como podem ver na foto acima (a vela azul, por trás). Vencemos.

Domingo também era dia de regata e lá fomos nós, de novo. Largada às 13h, mas cadê o vento? Pois foi muito pior que sábado. Boiamos até quatro da tarde e, quando largamos, uma brisa fraquinha era o que empurrava os barcos.

Nossa largada foi razoável e estávamos no bolo. Se não é bom, com vento fraco também não é ruim, pois vira loteria. E não é que fizemos a cagada (desculpem, mas não achei um termo mais educado) de sair do bolo e tentar um bordo diferente? Pois conseguimos sair de quarto ou quinto para último, muito atrás. No final, ainda recuperamos e terminamos em décimo. O pau quebrou de novo e, parece, que agora foi o último. No final, ficou ruim mas não ficou horroroso.

Contando as três regatas, estamos na sexta posição. Descartando o pior resultado, estamos em quarto. Ainda faltam quatro regatas e, sinceramente, o título é algo que não podemos pensar agora. Mas vamos brigar pelo pódio. Além disso, como somos estreantes, o Picareta está inscrito na categoria B, onde estamos empatados em primeiro. Ou seja, mesmo com a lambança de domingo, podemos voltar pra casa com dois troféus. Se vai acontecer, é outra história, mas – sem perder a ternura – podem ter certeza que vamos endurecer.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Banhos de mar

Sábado foi dia de regata. Céu azul e nenhum vento. O percurso era de mais ou menos 14 milhas náuticas: saía do Praia Clube São Francisco, ia até a Ilha do Pai (fora da Baía de Guanabara, depois da praia de Itaipu em Niterói) e voltava. Encerramento do Torneio V22 (estávamos empatados com o Baruk em terceiro), válida pelo ranking anual da classe e homenagem ao dia dos pais.

Nas duas últimas vezes que corremos percursos mais longos, ou chegamos às 8 da noite ou desistimos por falta de vento. Ou seja, as previsões não eram as melhores. Demoramos quase duas horas pra sair da baía, mas...

Na hora ninguém soube, mas a culpa de tudo que vou contar daqui pra frente foi do Oscar, velejador do Boteco 1 e tripulante do Dona Zezé. Perto da Fortaleza de Santa Cruz, ele deixou cair uma moeda na água (ele disse que foi sem querer) e fez um pedido: vento. PQP!!!! Precisava exagerar???? Será que a bendita moeda era de Libra Esterlina?

Toda a flotilha já estava fora da baía quando entrou o vento: 20 a 25 nós, rajadas de 30. Quem quiser achar a velocidade em quilômetros, basta multiplicar por 1,853 (aproximadamente). Ta bom, ta bom: mais de 40km de média e às vezes quase 60.





E nessa situação, o que acontece? O barco fica uma loucura: segurar o leme é tarefa árdua pros mais experientes e qualquer coisa que se precise fazer a bordo tem que ser muito rápido e sem erro. Fora isso, com o vento vem o frio e o mar batido que lava o convés e encharca você o tempo todo. Tomei um banho dentro da cabine do barco que pensava que só era possível se resolvesse mergulhar.

Logo depois de contornar a ilha, decidimos rizar a vela grande (baixar parte da vela pra diminuir a potência do barco) e o Armando resolveu trocar a genoa pela buja de tempestade. Na hora, eu e Aline gritamos pra colocar a genoa 2 (intermediária) pra não “desistir” da regata, mas ele insistiu. E estava certo. O Picareta cruzou a linha de chegada inteiro. E foi o único.

Da ilha até a chegada ao clube, Aline (proeira) e Pedro (filho do Armando e mascote do Picareta) ficaram guardadinhos dentro do barco. Além da segurança, dentro da cabine ajudavam a baixar o centro de gravidade do barco. Do lado de fora, eu, Armando e Morcegão vínhamos na escora e no controle das velas. Só pra vocês terem uma idéia da velocidade que nossos bravos veleiros alcançaram no sábado, mesmo com a área vélica muito reduzida, o Picareta ultrapassou uma traineira que andava a pleno motor.

No fim, teve barco com vela rasgada, mastro quebrado, barco que bateu em pedra. Enfim, foi o diabo. Mas o melhor é que ninguém de nenhuma tripulação se machucou e, no fundo, todo mundo quer mais.

Mas quem foi que disse que vela não é esporte radical?


PS: É claro que as fotos aí de cima não são do Picareta. É só pra vocês terem uma noção de como o barco pode ficar molhado e como o mar pode bater no costado no barco.