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segunda-feira, 16 de julho de 2007

Cinderela e os 7 anões

E não é que o time do Dunga ganhou da Argentina... Pois meus amigos, se vocês gostam de futebol de verdade, com armadores que sabem fazer lançamentos e passes precisos e, ainda assim, ocupar os espaços para dificultar e até evitar os ataques adversários, se vocês gostam de centro-avantes lúcidos, de laterais que fazem ultrapassagens e tabelas... Danou-se.

Dunga é a nova Cinderela do futebol brasileiro. Na coletiva de ontem, após o jogo, já tinha um monte de coleguinhas puxando o saco do moço. Um monte de gente que meteu o pau na seleção já está enaltecendo o projeto de técnico. Só resta torcer para que a carruagem não vire abóbora em 2010, nos arredores da Cidade do Cabo.

Antes de mais nada, não posso negar que o Brasil jogou bem. Isso é um fato tão claro quanto a amarelada da Argentina. As duas coisas aconteceram e assim ganhamos mais uma Copa América. Parabéns para o time e sua comissão técnica.

Mas não é por isso que vou esquecer todos os jogos horrorosos anteriores à final e, muito menos, ficar satisfeito porque o Dunga quer escalar quantos dungas puder para envergar a camisa que entrou para a história por ser sinônimo do melhor futebol do mundo. Durante a final, o time do Dunga fez 30 ou mais faltas e, para mim, isso não é futebol.

O Brasil perdeu várias sul-americanas justamente por não dar porrada e jogar futebol. E, por jogar futebol e não dar porrada, cansamos de ganhar o mundo. Pois eu prefiro o mundo. Um grande amigo gaúcho deixou um recado no blog do Boteco 1: “cala a boca Brasil!”. Não consigo. O que o Dunga imagina ser futebol é diferente do que eu conheço como futebol. Aliás, gostaria de lembrar que os times gaúchos campeões do mundo jogaram muito futebol e não deram porrada. Isso sem falar no Inter que foi tri-campeão brasileiro, que jogava muita bola...

Enfim, vamos ver no que vai dar...

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Estou de férias. Vou dar um passeio durante a semana e volto na sexta. Aí, conto como foi e coloco algumas fotos.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Pitacos de um final de semana

Sexta-feira chegou e trouxe junto o alívio pelo final de mais uma semana. O santo descanso começou com o já tradicional e sempre muito bom chope na Marina onde – junto com a turma do Boteco 1 – pude ver o início da montagem da estrutura da vela no Pan. O termo Mambembe não seria suficiente para descrever o absurdo que estão fazendo, enquanto todo mundo encheu o bolso de dinheiro nas obras faraônicas e superfaturadas das outras instalações. É claro que tudo será bem disfarçado pela decoração dos jogos, mas deixo um agradecimento especial ao Iphan por não permitir que tivéssemos, finalmente, uma Marina bem estruturada e adaptada aos anos 2000.

Ratatouille
Sábado foi dia de ver como anda a obra e não resolver alguns outros problemas. Mas também foi dia de cinema. A aventura do rato cozinheiro em Paris é simplesmente imperdível: roteiro, direção, trilha sonora, animação, fotografia... Não há como falar mal do filme. De quebra, acertaram em cheio ao não desenhar um rato fofinho, inspirado nos Ursinhos Carinhosos.

Rémy (foto) e todos os ratos do filme (e são muitos, acreditem) têm cara de rato. Pra quem gosta de animação, programa excelente para o final de semana. Pra quem não gosta... Deixa de ser bobo e corra pro cinema. Quem tem filhos, vale deixar de ser pão-duro e ir duas vezes: uma para assistir a versão legendada (e a excelente dublagem original) e outra com as crianças, na versão dublada.

6 a 1
Sábado também foi dia de futebol. Sobre o Flamengo eu prefiro não falar e sobre a seleção... Todo mundo feliz porque enfiou 6 no Chile. Não é nada, não é nada, não é nada mesmo. A diferença para o jogo em que o Robinho fez 3 e ganhou sozinho, na primeira fase, é que dessa vez todo mundo resolver aparecer. Até o Wagner Love. Para mim, o jogo só serviu para comprovar que os nossos cabeças-de-bagre são melhores que os deles.

O interessante do jogo foi ver a coletiva do Dunga. Ele disse que sempre teve convicção e sabia que, com o tempo, os resultados iriam aparecer. Tudo ok? Tem certeza? Então vejam:

Diego (elogiado pelo projeto de técnico depois do jogo contra a Inglaterra) chegou à Venezuela titular mas foi barrado depois de 45 minutos por Anderson, que jogou 90 (45 bem, 45 mal) que foi barrado por Julio Batista, a fera. Elano, que foi o homem de confiança durante todos os amistosos, chegou à Venezuela titular-absoluto-intocável-ninguém-mexe-tira-a-mão-que-é-meu e foi barrado por Josué depois de 150 minutos. Poderia até dar outros exemplos, mas haja paciência... Só queria saber onde está a convicção????

Domingão
Corrida e Wimbledon de manhã. Resolver o clube à tarde e mais cinema. O Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado. Não consegui classificar o filme. Os efeitos especiais, como era de se esperar, muito bons, fotografia razoável etc etc etc. Basicamente, é um filme imperdível para os amantes de Marvel, mas que os outros podem esperar chegar à TV a cabo. No final do dia, o macarrão que, dessa vez, não era da Mamma, mas estava excelente.


PS.: Os cariocas já estão treinadinhos para o Pan, todo mundo já sabe encarar engarrafamento direitinho.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Seleção canarinho

Hoje é o dia de um doloroso jubileu de prata pra quem gosta de futebol. Há exatos 25 anos acontecia o jogo que ficou conhecido como a Tragédia do Sarriá. Naquele dia, muitas coisas impressionantes aconteceram: Paolo Rossi (foto ao lado) marcou três vezes contra o Brasil, Cerezo tentou atravessar a bola de um lado ao outro do campo em plena intermediária brasileira, rasgaram a camisa do Zico na área e não marcaram pênalti, todo brasileiro com tv em casa lembrou do Jô Soares (Bota o ponta, Telê!).

Eu tinha oito anos em julho de 82 e aquele time é a minha primeira lembrança perfeita de uma copa do mundo. E aquele time inteiro só não era o meu próprio time de botão porque não gostava do Chulapa e (venhamos e convenhamos) o Flamengo daquela época era muito melhor.

Aquela Seleção Brasileira (reparem que, diferentemente de quando me refiro ao time do Dunga, aqui eu uso letra maiúscula) passou a integrar um lista de times incríveis que não conseguiram erguer a taça: Brasil 1938 (pouparam o Leônidas na semi e a vaca foi pro brejo), Brasil 1950 (coitado do Barbosa), Hungria 1954, Holanda 1974, Dinamarca 1986.

Daí que, apesar da derrota, não conheço ninguém que não lembre ou se refira àquele time com carinho. Mesmo os que acham que o importante é ganhar. Já ouvi muita gente falar o seguinte: “a Seleção de 82 foi a última Seleção Brasileira que existiu de verdade”. Não sou tão radical, pois acho que em 1986 nosso time era quase tão bom quanto aquele, mas se pensarmos bem... Mesmo com os títulos de 94 e 2002, alguma outra seleção encheu os olhos da turma? Não, os meus.

Mas aquela Seleção, além de jogar um futebol lindo, teria outros significados. Lembro de todo mundo em volta acompanhando a copa com uma esperança que não vi nas disputas seguintes. E só depois de muitos anos, me passou pela cabeça que, naquele momento, o Brasil encarava a “abertura lenta, gradual e segura”, pouco depois da anistia geral e irrestrita. A representava a esperança. Se a Copa de 70 foi útil aos militares, a de 82 serviria à democracia. No final das contas, entre a Seleção de 82 e a democracia, uma naufragou e outra... Ainda tenho minhas dúvidas.

Em homenagem ao escrete de 82, segue abaixo a letra do samba “Povo Feliz (Voa canarinho, voa)”, que o Júnior gravou e vendeu 600 mil cópias (não lembro nem achei os nomes dos autores, alguém ajuda?).

Voa, canarinho, voa

Mostra pra este povo que é rei
Voa, canarinho, voa
Mostra na Espanha o que eu já sei

Verde, amarelo, azul e branco

Formam o pavilhão do meu país
O verde toma conta do meu canto
Amarelo, azul e branco
Fazem meu povo feliz

E o meu povo Toma conta do cenário

Faz vibrar o meu canário
Enaltece o que ele faz
Bola rolando

E o mundo se encantando
Com a galera delirando
Tô aqui e quero mais

•••

Em 'homenagem' ao time do Dunga que, ontem, com quatro 'dungas' em campo, goleou o Equador por 1 a 0 (pênalti batido por Robinho), seguem as notas dadas pelo ácido Juca Kfouri, em seu blog:

- Dunga, o comandante deve vir na frente. E você vai ter de engoli-lo: 10
- Doni, sinônimo de segurança: 9
- Daniel Alves, o novo Carlos Alberto Torres: 8
- Alex Silva, só não é melhor, na zaga do São Paulo, do que Miranda: 7
- Alex, fez um pênalti bobo: 7
- Juan, não deu um pontapé e não deixou Diego entrar no lugar de Julio Baptista porque havia um escanteio: 4

- Gilberto, tão bom como Nilton Santos: 8
- Kléber entrou e tem talento demais para jogar neste time: 6
- Gilberto Silva, não deixa sentir saudades de Paulo Roberto Falcão: 7
- Mineiro, como um Zito: 7
- Josué, Didi redivivo: 7
- Julio Baptista, bestas somos nós: 8
- Diego entrou apenas para comprovar que nosso grande Dunga não é rancoroso: 4
- Robinho, só firulas e um gol (argh!): 3
- Vagner Love, quase fez dois gols: 5
- Comportamento da torcida venezuelana que vaiou o tempo inteiro porque entende é de beisebol: zero
- Condições do gramado: não provei.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Dungas e mais dungas...

Parece que o Dunga conseguiu mesmo o que queria desde o início: escalou quatro ‘dungas’ no meio-campo da seleção brasileira. Não acredita? Pois vejam o que vai a campo hoje à noite, contra o Equador, na Copa América: Josué, Mineiro, Gilberto Silva e Júlio Batista. O pior é que, na lógica torta desse rapaz que tenta se travestir de técnico da Seleção Brasileira, há uma certa razão.

Pois na coletiva de ontem (é, não se fazem mais entrevistas ou bate-papos informais com os técnicos à beira do campo) ele soltou a seguinte pérola: “não é engraçado? Com dois volantes não fizemos os gols que fizemos com três...”. Ou seja, já que vamos jogar com quatro volantes, vamos golear o Equador impiedosamente.

O que me impressionou é que não vi, na coletiva, nenhum coleguinha fazer a seguinte pergunta: “os três volantes fariam os gols se o Robinho não estivesse em campo?”

Apesar de acabar torcendo a favor e de querer ganhar a Copa América de novo (de preferência, em cima da Argentina de novo), morro de medo de que ele dê sorte e acabemos chegando à África do Sul, em 2010, com 11 ‘dungas’ em campo. Haja coração...

Aproveito pra deixar claro uma coisa: se ele, o Dunga, escalasse um time de futebol de verdade (daqueles que tocam bola, fazem tabelas e lançamentos e outras coisas do gênero), torceria muito a favor dele. Perder faz parte de qualquer jogo e não é por torcermos loucamente que vamos esquecer esse detalhe. O problema é que não acredito que o time que ele escala seja, de verdade, um time de futebol.


P.S.: Fico imaginando os terríveis pesadelos do Dunga sobre a escalação da seleção quando Kaká, Ronaldinho e Cia. estiverem prontos pra jogar pelo escrete canarinho.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Brasil-il-il

E não é que o time do Dunga conseguiu perder pro timezinho xumbreca do México...? E 2 a 0 foi pouco!!!

Mas antes de falar do jogo, é bom esclarecer uma coisa: como é que alguém que diz não estar nem aí pra Copa América já vai falar pela segunda vez do torneio? Me vejo obrigado a confessar: sou viciado!!! Gosto mesmo de futebol e se tem jogo na TV (a não ser que alguma outra coisa muito importante esteja acontecendo), eu paro pra ver.

Tudo explicado? Então vamos lá... Cheguei em casa e pensei: “tem um joguinho aí pra animar o jantar”. E animou mesmo. Os times são muito ruins – principalmente as defesas – mas a partida entre Chile e Equador até que foi bem movimentada. Como sempre, dá pra salvar dois ou três bons boleiros de cada lado. No final, 3 a 2 pro Chile, como era de se esperar.

Aí, veio o jogo do Brasil. Quer dizer, do Brasil não! Do time do Dunga. Porque um time que começa com Doni no gol e termina com Wagner Love no ataque não pode ser chamado de Brasil, de Seleção Brasileira. Falta bola pra turma.

Mas alguém vai dizer que Kaká, Ronaldinho e Zé Roberto pediram dispensa. É verdade. O que não quer dizer que tenhamos de aturar Maicon, Gilberto, Elano etc etc etc. Isso tudo sem falar no Alex, que é um zagueiro bem razoável, mas ontem...

No final, deu pena do Robinho. O moleque não amarelou, tentou resolver (e quase conseguiu) e mostrou que é o dono do time. Que fique claro: desse time. O pior é imaginar que, meio por acaso, meio sem querer, com as mexidas do segundo tempo e mais a troca de Doni, Gilberto e Mineiro por Hélton, Kleber e Júlio Batista (ou seja, o time inteiro, quase), ta arriscado a ganhar essa Copa América. E se isso acontecer, não vai ter jeito: vamos de Dunga até 2010.

PS 1: Hoje tem Argentina, completa.
PS 2: Quem tem coragem de confessar que pensou que o Afonso ia furar aquela bola que ele pegou de primeira? Eu achei...
PS 3: Lateral brasileiro levando chapéu de mexicano dentro da área? Nem o Cafu, que morou ali quase 15 anos conseguiu isso.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Copas América



No plural sim, porque são duas em disputa nesta semana.

A primeira começou no sábado. Uma Copa América que pode parecer estranha para a maioria dos brasileiros: disputada na Espanha entre um barco suíço e um barco neozelandês patrocinado por árabes...

A história dessa copa que movimenta milhões e milhões de dólares em patrocínios e investimento (provavelmente porque a vela é um esporte que não tem visibilidade nem dá retorno) começou há mais de cem anos, com o desafio entre um barco americano e um inglês. Os americanos, em mil oitocentos e meu bisavô zigoto, ganharam a primeira e seguraram o troféu até outro dia (esse 'outro dia' é relativo).

(Os universitários poderiam ajudar aqui, com as datas certas)

Em uma disputa melhor de nove regatas, já foram quatro e o placar é 2 a 2 . Eu torço pro Alinghi, os suíços defensores do título, pois se a Copa continuar na Europa dá pra acompanhar daqui, em horário de gente. Se for para a Nova Zelândia... Lembram como foi acompanhar a olimpíada de Sidney?

A outra Copa América, de futebol, começou ontem, na Venezuela: a competição de seleções mais antiga do mundo, disputada desde 1916. Para quem não lembra, a primeira Copa do Mundo aconteceu em 1930 e a primeira Eurocopa em 1960. E antes que venham as piadas, quero deixar claro que não assisti nenhuma delas.

Ásia, África, américas Central e do Norte, Oceania... Não faço a menor idéia.

Voltando ao assunto, começou a Copa América que não apeteceu Kaká, Ronaldinho e ninguém que eu conheça. E até começou bem. Nenhum espetáculo, mas bons jogos os do primeiro dia: Peru 3 a 0 no Uruguai (e foi pouco) e Venezuela (garfadíssima, quem diria) 2 e Bolívia 2.

Hoje estréia a seleção do Dunga. E depois que o projeto de técnico disse que tem medo do México, prefiro não tecer maiores comentários a respeito do time que vai vestir o uniforme da CBF hoje à noite.

Esse time, que faz o Dunga tremer, é comandado pelo Hugo Sanchez, maior jogador da história do México e que ficou conhecido como ‘Hugol’ quando jogou no Real Madrid (1985-92). O craque do time é o Blanco, um sujeito que acha que joga bola e que está uma bola. De quebra, meio time não fala como o técnico e ainda vive ligando para o argentino La Volpi, ex-técnico e (pretenso) futuro técnico. Trairagem de primeira linha. Enfim, imaginem como deve estar bem e forte esse time...

Ah, Equador e Chile também jogam hoje, mas quem liga?