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domingo, 24 de fevereiro de 2008


Tu és time de tradição
Raça, amor e paixão
Ó meu Mengo
Eu sempre te amarei
Onde estiver estarei
Ó meu Mengo



Foto: Ivo Gonzales (O Globo)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Guanabara e Libertadores

Na quarta passada, começou a Libertadores 2008 para o Flamengo. O jogo, o Flamengo foi bisonho: um empate safado contra o Coronel Bolognesi (quem?!). Resultado devidamente debitado na conta do Joel. Para compensar, ontem vencemos a semi-final da taça Guanabara, jogando contra aquele time. Aliás, como já é mais que hábito em partidas decisivas entre os dois clubes. Do jogo de ontem, ficou claro que – se o Joel deixar o time jogar como deve – o Flamengo pode fazer uma bela participação na Libertadores e no Brasileiro que está por vir.

Para comemorar a vitória de ontem e tentar inspirar Joel e o time para a copa continental, segue um texto enviado pelo amigo Jefferson. O texto é longo, mas vale a pena.

•••

Final da copa Libertadores da América
(Francisco Moraes e José Carlos Nascimento)

Quando ganhamos do Cobreloa, no Rio, começamos os preparativos para a segunda partida, em Santiago. Corremos atrás de patrocínio e batemos de frente no muro. Nada de patrocínio e o Cláudio enlouquecendo.

Ele alugou um ônibus e não conseguia fechar as contas porque todo mundo queria ir, mas grana que é bom, necas. (...) O Cláudio teve que vender o carro às pressas, no dia da viagem, porque a empresa queria 50% de sinal e o restante na volta. Foi um sufoco. Nós fizemos uma vaquinha e completamos a quantia necessária. Ficou então combinado que a excursão sairia segunda feira, às duas da tarde, da porta do Maracanã.

Na hora da viagem o Cláudio só deixou embarcarem os torcedores que, além da passagem paga, tinham o mínimo de dinheiro para se manter no Chile. Só embarcaram 28. (...) No ônibus estavam Gustavo Villela, José Carlos Nascimento - que se tornou meu companheiro inseparável de viagem -, tia Laura (da Charanga), Beto (presidente da União da Ilha), Loyola e outros de quem não consigo lembrar o nome. Aliás, a presença do Beto fez do samba da Ilha o hino oficial da caravana.

“É hoje o dia da alegria e a tristeza não pode pensar em chegar...”

Saímos por volta das três da tarde, diretamente para Santiago. O plano era chegar quinta-feira, véspera do jogo, descansar e assistir a partida com conforto, sem corre-corre. Pedimos ao Domingo Bosco que comprasse os ingressos (pagamos!!!). Até Mendoza (Argentina) tudo correu bem. Viagem cansativa mas sem maiores problemas (...).

De Mendoza pode-se ver toda a imponência da Cordilheira dos Andes. Começamos a subir e nosso ônibus não agüentou. Putz!!! Conserta daqui, mexe dali, fomos obrigados a voltar para a cidade. Isso atrasaria a viagem em um dia e nos obrigaria a sair correndo para Santiago em cima da hora.

No dia do jogo, bem cedo, embarcamos para Santiago. Eram 6 da manhã e a viagem seria de 6 horas, o que deixava tempo para fazer alguma coisa. Subimos a cordilheira, mas o ônibus quebrou de novo, nos deixando a mais de três mil metros de altitude. Para nossa sorte, vinha atrás um ônibus argentino, que ia para Santiago. Conversa vai, conversa vem, todo mundo pulou para dentro.

Já eram 18h30 quando, finalmente, chegamos a Santiago (o jogo era às 20h). Corremos para o hotel do Flamengo, mas a delegação já havia saído. Todavia, o Bosco tinha deixado o recado: os ingressos estavam na bilheteria do estádio, à nossa disposição. Fomos para o estádio, com uma fome de matar leão e (...) nossos lugares eram bem no meio da torcida deles.

O Estádio Nacional pulava, cantava, tremia... E a gente apanhava, apanhava, apanhava... Levamos porrada, cusparada, beliscão, puxão no cabelo (e olha que a polícia estava nos protegendo). A única coisa de que gostamos foi quando eles começaram a jogar laranjas, bananas, uvas. Era pegar, limpar e comer. Com a fome que estávamos, melhor só se eles tivessem jogado filé, batata frita e arroz.

Perdemos o jogo, que foi uma verdadeira batalha campal. Os jogadores do Flamengo saíram do gramado como se tivessem participado de uma guerra na Palestina. O Mário Souto (zagueiro do Cobreloa) jogou com uma pedra na mão. Quebrou as cabeças do Adílio e do Lico. Foi terrível. O pior de tudo é que agora tínhamos que sair dali direto para Montevidéu, campo neutro, onde seria realizada a partida decisiva. Por sorte, nosso ônibus estava consertado e aguardava a galera na porta do estádio.

Saímos do estádio escoltados pela polícia que, por vício, sentava o pau em qualquer chileno que chegasse perto. Entramos no ônibus e fomos para um restaurante fora de Santiago, comer alguma coisa e planejar a viagem para o Uruguai. No fundo, no fundo, não estava nos planos de ninguém esse alongamento da excursão. Ficou decidido que voltaríamos de ônibus até a fronteira entre Argentina e Uruguai. Ali, o ônibus voltaria para o Brasil, levando quem não podia ou não queria continuar a viagem. O resto cruzaria a fronteira e seguiria por conta própria para Montevidéu.

Havia muita tensão no ônibus (...). Com a inesperada extensão da viagem, só quem tinha dinheiro ou poderia conseguir no Uruguai continuaria. Foi uma choradeira só. Imagina! Os caras estavam há seis dias no maior sufoco e na hora do filé... Nos despedimos dos que voltaram prometendo a vitória a qualquer custo. Do grupo original só ficaram 15. Atravessamos a fronteira de balsa e, imediatamente, pegamos um ônibus para Montevidéu. O jogo era na segunda-feira à noite, e nós chegamos domingo, no final da tarde.

(...) À noite fomos ao hotel da delegação e o Bosco (sempre ele) nos deu ingressos para o jogo. Foi uma noite tensa, pelo cansaço e pela emoção da decisão. Ninguém admitia perder. Nós tínhamos mais time, mas os chilenos bateram tanto em Santiago que deu medo do Flamengo se intimidar.

E começaram a chegar vários flamenguistas que tinham vindo ver o jogo. Três aviões lotados. Muita gente de carro, principalmente da fronteira. A cidade começou a ficar vermelha e preta. A alegria retornou. Na segunda-feira, hora do jogo, devíamos ser aproximadamente uns três mil.

(...)

Estava todo mundo tenso, estressado, cansado e duro. Nem a chegada de outro grupo de torcedores, em quatro aviões fretados, melhorou o nosso astral. Estávamos há uma semana sem dormir direito, com uma alimentação sofrível e ainda tendo que esperar pela decisão.

Apesar de tudo, estávamos confiantes. Afinal, tínhamos o melhor time do planeta: o melhor jogador do mundo e, para mim, o melhor que já vi jogar (e olha que eu vi Pelé, Maradona, Platini, Sócrates, Rivelino, Tostão...); um goleiro que deveria ser titular da Seleção (Raul); Leandro e Júnior, os melhores laterais do mundo; uma zaga de nível de Seleção (Marinho e Mozer); e, do meio campo pra frente, era até covardia – Andrade, Adílio, Tita, Nunes e Lico. No banco, jogadores de categoria e nosso técnico Paulo Cesar Carpegiani que, como jogador, depois do Zico, não vi melhor no Brasil. Como técnico, era um discípulo de Coutinho. Por trás de todos esses craques, o homem que era presidente, supervisor, auxiliar técnico, massagista etc.: Domingo Bosco. Como perder, irmão? Impossível.

A torcida uruguaia era toda nossa. Havia também uns cinco mil argentinos flamenguistas. Para o lado do Chile, nem quinhentos gatos pingados. Começou o jogo e, com um minuto, o Andrade dividiu com um chileno e isolou a bola, que foi parar em Santiago. Eu olhei para o Zé Carlos, que estava do meu lado, e disse:
- Zé, o time tá mordido, vamos meter uns três neles.

E o Zé, que nunca foi muito católico, olhou para o alto, como se rezasse, e falou, com os olhos cheios de lágrima:
- Tomara, Moraes, tomara. Se a gente perde esta, vai ser duro de agüentar. Volto a pé.

(No ano seguinte, quando perdemos para o Peñarol, em pleno Maracanã, o Zé só foi embora uma da manhã, expulso pelo guarda que fechou o estádio. Andou até o Leblon! Se perdêssemos aquele jogo, era bem capaz dele querer sair andando até o Rio, sim.)

A razão da minha confiança era justamente a disposição do Andrade. Aprendi a ver nele o termômetro do Flamengo. Andrade era um jogador altamente técnico, acima da média. Se no começo do jogo ele entrasse rachando ou dando chutão para onde o nariz apontasse, aí o time todo jogava sério. É que as jogadas começavam com ele no meio campo. Se rebolasse, a coisa ia ficar ruim (...).

A pancadaria começou cedo e um chileno foi expulso. Metemos o primeiro (Zico). O Andrade se excedeu e também foi expulso. Mas em nenhum momento tive medo de perder a partida. Pelo menos, até o juiz anular um gol nosso e começarmos a perder muitas oportunidades. Aí, comecei a me preocupar, até que o Zico fez aquele gol de falta, no finzinho do jogo. Detalhe: na hora do gol do Galo, nossa galera, ao invés de gritar de felicidade, se abraçou e começou a chorar... O estádio Centenário todo pulando, gritando “é campeão!” e nós sentados e chorando. A galera sequer viu o soco do Anselmo no Mario Soto.

Depois do desabafo entramos na folia, comemorando o título nas ruas de Montevidéu, ao som do samba da Ilha.

“É hoje o dia da alegria e a tristeza não pode pensar em chegar...”

Fizemos nossa festa na cidade, com buzinaço, grito e alegria inimaginável! “OBRIGADO SÃO JUDAS TADEU. OBRIGADO MEU DEUS”. A gente não cabia de felicidade. Porra, o meu Mengão era Campeão das Américas. Cantamos até às quatro da manhã. Aí, caiu a ficha! Tínhamos que voltar para o Rio, de “ônibus”, que saía para Porto Alegre via Chuí. De Porto Alegre, outro para o Rio. Seriam, aproximadamente, 60h. Somente a alegria nos dava força para agüentar a barra. Nego não agüentava mais segurar nem um tamborim. O cansaço era insuportável, mas tínhamos vencido a Libertadores, e agora era uma questão de honra ir a Tóquio, ver o Mundial. A América do Sul era nossa. Só faltava o Mundo!!!

Depois de 400 dias dentro de ônibus, finalmente chegamos a Porto Alegre, após uma viagem que parecia ter durado um mês. O pior é que, de ônibus, estávamos ainda a 24 horas do Rio. Nisso, o Zé Carlos me chamou num canto e disse:
- Moraes, não dá mais. Estou morto. Vamos para o Rio de avião?

Eu estava com o mesmo pensamento, mas como abandonar o barco? Como largar a galera? Pensei mais um pouco e chamei o Zé e o Cláudio.
- Zé, vamos juntar toda nossa grana com a da galera e ver quantas passagens de avião podemos comprar, topas?
- Claro, era isso que estava pensando!!!

Chamamos a galera e, conta daqui, junta dali, completa aqui, intera ali, deu para comprar todas as passagens. Não dava nem para acreditar que seria verdade. Que, dentro de 2h30, eu estaria em casa. Na praia...

Pegamos a grana e fomos ao balcão comprar as passagens; aí, ouvimos a voz da burocracia nacional:
- Lamento dizer, mas o vôo foi cancelado por falta de passageiros. Eu sou colorado, e quero ver vocês irem a pé para o Rio de Janeiro.

A princípio, pensávamos que era uma brincadeira, de muito mau-gosto, por sinal. Mas era sério: a Varig tinha cancelado o vôo. Protestamos, esperneamos, ameaçamos brigar e nada. Enquanto isso, calado num canto, o Zé Carlos assistia a tudo. Num certo momento, ele se vira e vai em direção a uma cabine telefônica. Uns minutos depois ele volta, mais quieto ainda, e me diz:
- Moraes, sai de perto da confusão e vamos ver como o Brasil funciona.

Sem entender nada, perguntei:
- O que você quer dizer com isso?
- Liguei para a minha avó, no Rio, e pedi uma mãozinha. Ela ainda conhece umas pessoas na Varig e o sobrenome ainda vale alguma coisa (o avô do Zé era um general grandão, que chegou a ministro e disputou a Presidência da República com o Gal. Médici).

Não demorou muito o burocrata colorado, muito a contragosto, chamou o grupo:
- O voô foi reaberto, vocês podem comprar as passagens e embarcar - falou, cheio de gentilezas.

Que babaca. Nós saímos rindo da cara dele. Embarcamos e 3 horas depois eu estava no calçadão, contando a aventura pra galera.

No dia seguinte, já estávamos embarcando para Volta Redonda – decisão do terceiro turno do Campeonato Carioca. Continuamos a colecionar títulos e fomos Campeões Cariocas, batendo o Vasco em três partidas memoráveis. Antes, tivemos que testemunhar a morte do grande Capitão Cláudio Coutinho, o maior técnico que o Brasil já teve.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Devagar com o andor...


Deixei abaixar um pouco a poeira do resultado do último final de semana para falar a respeito do Flamengo. Antes de mais nada, é claro que se merece comemorar a classificação para a Libertadores pelo segundo ano consecutivo. Também é óbvio que se deve louvar a torcida e o espetáculo que proporcionou nos jogos do Maracanã (apesar da maneira como foi tratada).

Mas acho bom diminuir a marcha, pois o santo é de barro. O Flamengo está na Libertadores. E daí? Daí que nesse ano também estivemos por lá. Caímos num grupo ridículo e nos classificamos como o segundo melhor time da primeira fase. E fomos eliminados logo na segunda. É isso que vai acontecer de novo? É certo que não dá pra saber, mas também é certo que com o time que temos hoje as chances são muito grandes. Dependendo do grupo, arrisca-se a nem passar pela primeira fase.

Pareço o profeta do apocalipse? Então vejam: Bruno e Diego (goleiros); Leonardo Moura, Juan, Luizinho e Egídio (laterais); Fábio Luciano, Rodrigo Arroz, Ronaldo Angelim e Thiago Sales (zagueiros); Léo Medeiros, Jaílton, Toró e Cristian, Renato Augusto, Roger e Ibson (meias); Obina, Souza, Maxi e Paulo Sérgio (o elenco é maior que esse, mas esses foram os que mais jogaram durante o ano). E não podemos esquecer do Kléberson (mais um volante), que recebe salário desde de setembro mas só poderá jogar a partir de janeiro.

Sejamos sinceros: o elenco do Flamengo é pouco melhor que horroroso e o time titular pouco mais que razoável.

Talvez a reta final da campanha embasse as vistas, mas é preciso ser claro: o nível técnico deste campeonato brasileiro foi baixíssimo. E há alguns detalhes sobre a campanha rubro-negra que precisamos levar em conta para avaliarmos o ‘feito’ da histórica recuperação de penúltimo colocado para a classificação antecipada.

Por conta do Pan do César Maia, o Flamengo teve quatro jogos adiados para o segundo semestre e, para não adiar tantos outros, alguns mandos de campo invertidos. Parece pouco, mas só esse detalhe garantiu que o Fla jogasse praticamente todo o segundo turno em casa, embalando e embalado pela torcida.

Outro detalhe interessante: o Fla foi o penúltimo colocado quando tinha quatro jogos a menos que a maioria dos 20 clubes. Por pontos perdidos, o Fla não só nunca esteve na zona de rebaixamento como variou durante todo o tempo entre 4º e 7º colocado. Ou seja, o Flamengo sempre brigou pela Libertadores mas nunca teve a menor chance de lutar pelo título. E, agora sim, chegamos ao ponto.

Desde 1992, quando foi campeão, o Fla nunca conseguiu chegar perto de lutar por outro título brasileiro. Ganhamos estaduais (inclusive um tri), Copa do Brasil, Copa dos Campeões e algumas outras tacinhas de menor importância. Mas Brasileiro, que é bom, não chegamos nem perto. Aliás, estivemos perto mesmo de cair. Várias vezes.

É claro que estou feliz por disputar a Libertadores. Mas quero disputar de verdade, com chance de ganhar. Se vai ou não, é parte da brincadeira. Com o time que temos, não há chance.

Aliás, nem com o time nem com o técnico. O Joel é um cara bacana, boa praça mesmo, frasista de mão cheia, mas me digam qual o grande campeonato que ele tem no currículo, além de uma penca de estaduais cariocas e baianos. Ele está pra sair, ok, mas o que vem por aí...?

Wanderley “ególatra e armador” Luxemburgo como gerente de futebol. Tenho um amigo que acha isso ótimo, que dará moral e que só a presença dele ajuda na contratação de alguns jogadores. Não gosto dele e não acho que o Fla precise dele. Mano Menezes (quem?!?!?) como técnico. Com todo o respeito que o futebol gaúcho merece, não acho que o Mano seja capaz de comandar o Flamengo. Fora o Kleber “Romário, Sávio e Edmundo” Leite na vice-presidência de futebol.

Podem me chamar de louco, mas meu técnico preferido para 2008 seria Carlos Alberto Torres. Podem me chamar de insandecido, mas meu gerente de futebol para 2008 seria o Carlinhos. Conhece o clube, entende de futebol e tem a calma necessária para organizar o clube.

É claro que sou Flamengo (flamenguista é coisa de neologista). E todo mundo sabe que, uma vez Flamengo... É claro que vou torcer muito pelo meu time. É claro que vou ao Maracanã ver os jogos da Libertadores e é bem provável que voltarei pra casa rouco. O problema é saber desde já que, se as coisas não melhorarem muito, mais uma decepção virá por aí.
PS 1: Há que se torcer muito na última rodada, pois terminar em quarto significa ir para a pré-Libertadores. Como todos comemoraram a classificação como se fosse título, não vou estranhar se o time entrar em campo relaxado além da conta.
PS 2: Quem comemora vice-campeonato é vascaíno.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

A besta, o poeta e o tricolor

Às vezes tenho a plena convicção de que sou uma besta. Ontem foi um dia assim. Melhor, uma noite. Recebi três convites para ir ao Maracanã assistir ao Fla-Flu. Jogo adiado por causa do Pan, o Flamengo mal na tabela e com um time horroroso, o Fluminense vindo de um sacode no Santos. “Vou não, não tô acreditando muito e ainda to duro... Deixa pra próxima.”

Pois bem: assisti ao jogo em casa. Jogo ruim, diga-se de passagem. Mas não é que o Flamengo ganhou o jogo e com dois a menos em campo? Pois sou ou não sou uma besta? Além do mais, me gabo de ser Flamengo e na hora do aperto... Bem feito.

Além da vitória de ontem, hoje se completam duas décadas da morte de Carlos Drumond de Andrade. Pois então, seguem abaixo todas as homenagens possíveis, de uma vez só: um trecho do conto “O torcedor”, do mineiro de Itabira e uma crônica sobre o Flamengo, escrita pelo tricolor Artur da Távola.

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“Lembrando-se de que torcera pelo vencido, teve medo, para não dizer terror. Se lessem em seu íntimo o segredo, estava perdido. Mas todos cantavam, sambavam com alegria tão pura que ele próprio começou a sentir um pouco de Flamengo dentro de si. Era o canto? Eram braços e pernas falando além da boca? A emanação de entusiasmo o contagiava e transformava. Marcou com a cabeça o acompanhamento da música. Abriu os lábios, simulando cantar. Cantou. Ao dar fé de si, disputava à morena frenética a posse de uma bandeira. Queria enrolar-se no pano para exteriorizar o ser partidário que pulava em suas entranhas. A moça, em vez de ceder o troféu, abraçou-se com Eváglio e beijou-o na boca. Estava batizado, crismado e ungido: uma vez Flamengo, sempre Flamengo.”

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“Ser Flamengo é ser humano e ser inteiro e forte na capacidade de querer. É ter certezas, vontade, garra e disposição. É paixão com alegria, alma com fome de gol e vontade com definição. É ser forte como o que é rubro e negro como o que é total. Forte e total, crescer em luta, peleja, ânimo, e decisão.

Ser Flamengo é deixar a tristeza para depois da batalha e nela entrar por inteiro, alma de herói, cabeça de gênio militar e coração incendiado de guerreiro. É pronunciar com emoção as palavras flama, gana, garra, sou mais eu, ardor, vou, vida, sangue, seiva, agora, encarar, no peito, fé, vontade. Insolação.

Ser Flamengo é morder com vigor o pão da melhor paixão; é respirar fundo e não temer; é ter coração em compasso de multidão.

Ser Flamengo é ousar, é contrariar norma, é enfrentar todas as formas de poder com arte, criatividade e malemolência. É saber o momento da contramão, de pular o muro, de driblar o otário e de ser forte por ficar do lado do mais fraco. É poder tanto quanto querer. É querer tanto como saber; é enfrentar trovões ou hinos de amor com o olhar firme da convicção.

Ser Flamengo é enganar o guarda, é roubar o beijo. É bailar sempre para distrair o poder e dobrar a injustiça. É ir em frente onde os outros param, é derrubar barreiras onde os prudentes medram, é jamais se arrepender, exceto do que não faz. É comungar a humildade com o rei interno de cada um.
É crer, é ser, é vibrar. É vencer. É correr para; jamais correr de. É seiva, é salva; é vastidão. É frente, é franco, é forte, é furacão. É flor que quebra o muro, mão que faz o trabalho, povo que faz país.”


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Não é porque ganhou o Fla-Flu que o time ficou bom. Continua horroroso. E os agradecimentos espeicias vão para Juan e Roger que, com duas espulsões bisonhas, arriscaram a derrota e ainda vão desfalcar o time na próxima rodada...